quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

A leitura e a grande travessia


A leitura e a grande travessia

Viver é uma grande travessia
no mar da insegurança e precisamos de ilhotas
onde nos refazemos para a viagem continuar...

Reflitamos e veremos que viver é fazer uma longa travessia...

“A vida como uma longa travessia...”
Viver não é estancar num estágio da existência, e como que emperrados em pensamentos, ideias, conceitos, sem nada mudar, rever, transformar, acrisolar para o melhor sempre buscar, não importando se possível ou não alcançar, mas ao menos tentar.

“A vida como uma longa travessia...”
Viver não é recuar para o já conhecido, porque nos confere um quê de segurança, uma vez que o medo quase sempre nos desinstala, desafia, inquieta, por vezes rouba-nos a serenidade e o sonho, porque exige um lançar-se decididamente, sem que se saiba os resultados a serem alcançados.

“A vida como uma longa travessia...”
Viver pode ser comparado a uma grande travessia, a ser feita com suas alegrias e tristezas, angústias e esperanças, sonhos e pesadelos, fracassos e vitórias, facilidades e desafios, luzes e sombras.

“A vida como uma longa travessia...”
Viver o presente intensamente com olhar voltado para o futuro, sem jamais olvidar o passado, com suas lembranças e aprendizados adquiridos. Aprender com os erros cometidos, amadurecer por tê-los responsável e corajosamente assumido.

“A vida como uma longa travessia...”
Viver o presente como dádiva, pela incerteza do futuro, uma vez que o passado se tornou a nossa própria história. Se não podemos mudar, moldar o passado, podemos mudar o presente, em novas conexões e experiências que nos moldarão e nos possibilitarão um novo futuro.

Os textos aqui encontrados, bem como em um livro físico (ou virtual), são como pequenas ilhas nas quais paramos, necessariamente, para recuperarmos o fôlego, nos reabastecermos de pensamentos puros e robustecedores para a continuidade da travessia.

Como viver é uma longa travessia no mar do incerto, do inseguro, do imprevisível, precisamos de ilhotas onde possamos parar e rever o percurso feito.

Tenho como preocupação e anseio que os meus escritos sejam como uma pequena ilha, onde se possa refazer as forças para que jamais se desista da travessia a ser feita.

Desejo que este espaço seja uma luz nesta necessária viagem que todos somos chamados a fazer, pois nisto consiste o viver.

“A vida como uma longa travessia...”
De mar a mar, de ilhas em ilhas continuemos nossa travessia.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Recomeçar com coragem, sabedoria e ousadia

                                          


Recomeçar com coragem, sabedoria e ousadia
 
“Dai Graças ao Senhor, porque Ele é bom,
eterna é a Sua misericórdia” (Sl    117,1)
 
Temos a graça de encerrar mais um ano, e assim, a necessária retrospectiva e revisão de tudo que aconteceu no mundo, nos diversos espaços por onde circulamos e vivemos, para que o ano novo seja mais próspero, com alegria e luminosidade.
 
Perseverar nos acertos e rever os erros possíveis cometidos, identificando as beiras de abismos por onde passamos e as intervenções divinas, que não nos permitiram neles cair.
 
Façamos memória dos voos rasantes que fizemos, por ausência de tempo maior, e de outros mais altos, porque soubemos parar, as forças refazer, porque nas  asas do Espírito, abertos à Divina Sabedoria.
 
Evidentemente, não podemos mudar o que aconteceu, mas podemos determinar o rumo dos anos vindouros, dependendo do que fizermos a cada dia.
 
Feliz Ano Novo! Não apenas de palavras, mas avançando com coragem, sabedoria e ousadia, para que todos os dias vindouros sejam mais intensos e densos de gestos de caridade, sempre impulsionados pela fé iluminada e iluminadora, firmados nos pilares da paz: amor, verdade, justiça e liberdade.
 
Deus seja louvado pelo ano de 2024, e supliquemos bênçãos, graça e luz divinas, para o Ano Novo, para que todos, como Igreja Sinodal que somos, revigoremos nossa comunhão, participação e missão em favor de um mundo mais justo e fraterno, como sinal do Reino de Deus.
 

Em poucas palavras... (Mensagem Dia Mundial da Paz 2025)

 


               “Concede-nos, Senhor, a tua paz!”

“Concede-nos, Senhor, a tua paz! Esta é a oração que elevo a Deus ao dirigir as minhas saudações de Ano Novo aos Chefes de Estado e de Governo, aos Chefes das Organizações Internacionais, aos líderes das diferentes religiões e a todas as pessoas de boa vontade.

Perdoa-nos as nossas ofensas, Senhor, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e, neste círculo de perdão, concede-nos a tua paz, aquela paz que só Tu podes dar para aqueles que deixam o seu coração desarmado, para aqueles que, com esperança, querem perdoar as dívidas aos seus irmãos, para aqueles que confessam sem medo que são vossos devedores, para aqueles que não ficam surdos ao grito dos mais pobres.” (1)

 

(1)        Mensagem do Santo Padre Francisco para o LVIII Dia Mundial da Paz (01/01/25) – parágrafo n. 15

Em poucas palavras...

                                                      


Oremos pela Paz

Oremos:

“Deus da paz, vós sois a própria paz; os que promovem a discórdia não vos compreendem e os de espírito violento não vos recebem.

Concedei aos que vivem na concórdia a perseverança o bem, e aos que vivem na discórdia, o afastamento do mal.

 Por Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.” (1) 

(1) Missal Romano - Missa pela paz - pág. 1106

A paz é fruto da justiça!


 A paz é fruto da justiça!

Em 2009, a Campanha da Fraternidade nos desafiou com um tema de extrema urgência: construir a paz, em irrenunciável compromisso com ela.

Passos foram dados, mas ainda temos um longo caminho a percorrer. Enquanto peregrinarmos neste mundo a paz será sempre a nossa grande busca, proponho ao leitor retomarmos as reflexões que escrevi na ocasião, reeditadas para facilitar a leitura.

Inicialmente, é importante termos claro qual é paz que a Igreja acredita e anuncia.

A Paz positiva, orientada por valores humanos como a solidariedade, a fraternidade, o respeito ao outro, a mediação pacífica dos conflitos, a promoção da dignidade humana e construção de uma sociedade justa e fraterna. Enfim, a paz fruto da justiça.

Precisamos dizer não à paz negativa, que se dá pelo uso da força das armas, da intolerância com os diferentes, e que tem como foco e meta os bens materiais, a busca inescrupulosa do poder.

Todos somos responsáveis pela paz. O exercício da cidadania é inadiável, e devemos colaborar no cultivo da cultura da paz e da vida, não apenas nas paredes de nossa Igreja, mas envolvendo todas as pessoas, todos os segmentos da sociedade, em todas as esferas de poder.

Lembro as oportunas e atualíssimas palavras do Secretário Geral da CNBB, D. Dimas L. Barbosa, naquele ano: “O caminho para a superação da insegurança passa, assim, pelo cultivo da cultura da paz, que supera a visão de guerra, seguindo a qual a violência se vence com violência.

A cultura da paz exige novos critérios para o relacionamento humano: a vivência da não violência ativa, a superação da vingança, a gratuidade, o perdão e a misericórdia. A prioridade tem que ser o valor da pessoa humana e sua dignidade”

A Oração do Salmista há de se tornar uma realidade: “O Amor e a Verdade se encontram, Justiça e Paz se abraçam, da terra germinará a Verdade, e a Justiça se inclinará do céu. O próprio Iahweh dará a felicidade e nossa terra dará seu fruto. A Justiça caminhará a sua frente, e com seus passos traçará um caminho” (Sl 85,11-14).

“A paz segundo São Leão Magno”

“A paz segundo São Leão Magno”

Iniciamos mais um ano, e é sempre oportuno retomar parte do Sermão deste grande Papa da Igreja , São Leão Magno (séc. V):

“Ora, no tesouro das liberalidades de Deus, que podemos encontrar de mais próprio para celebrar esta festa do que a paz, que o canto dos anjos anunciou em primeiro lugar no nascimento do Senhor?

É a paz que gera os filhos de Deus e alimenta o amor; ela é a mãe da unidade, o repouso dos bem aventurados e a morada da eternidade; sua função própria e seu benefício especial é unir a Deus os que ela separa do mundo...

O Natal do Senhor é o Natal da Paz. Como diz o Apóstolo, Cristo é a nossa paz, Ele que de dois povos fez um só (cf. Ef 2,14); judeus ou gentios, em um só Espírito, temos acesso junto ao Pai (Ef 2,18)”.

Com Jesus, nossa Paz, cerramos as cortinas de mais um ano e, 
ao mesmo tempo, abrimos as mesmas para Novo Ano.

Com Ele, nossa Paz, nossas forças sejam revigoradas;
Nossos sonhos se tornem mais próximos da realidade.
Com Ele, nossa vida de luz seja em maior intensidade.
Com Ele, nosso vigor, alegria, esperança renovadas!

Com Ela, Maria, terminamos longos dias de um ano,
Com a certeza de que por Ela desamparados jamais!
Com Ela, redescobrir o dulcíssimo gosto da paz!
Com Ela, aprender a fortalecer laços fraternos e humanos!

Feliz Ano Novo que no Natal do Senhor se anunciou!
Feliz Ano Novo, que não sejam palavras repetidas e frias,
Que expressem compromissos, sem coração e mãos vazias.
Somente transbordará no coração daquele que crê e testemunhou!

Graça e Paz da parte de Cristo Nosso Senhor!
Feliz Ano Novo acompanhado de bênçãos e alegria no Senhor.

Por uma Paz verdadeira!

Por uma Paz verdadeira!

As pessoas falam e procuram tanto a paz... Mas que paz?
Confunde-se muitas vezes o sentido mais profundo que possui a palavra paz.

Paz não é a ausência de problemas, tão pouco de desafios a serem enfrentados.
Paz não é a serenidade da ausência do dinamismo próprio da vida.
Paz não é ausência de conflitos a serem superados, 
Nem tão pouco a ausência de compromissos num imobilismo estéril.
Paz não pode ser reduzida a um sentimento intimista e sentimental. 

Paz não é fugir do mal ou os olhos ao mesmo fechar.
Paz não é viver fora da realidade, sinônimo de alienação total. 
Paz não é evasão do mundo numa ilha imaginária e irreal.
Paz não é o sossego aparente dos braços cruzados. 

Paz não é cegueira e indiferença que levam à morte.
Paz não é seguir sempre caminhos já trilhados. 
Paz não é viver num mundo sem contratempos.

As pessoas falam e procuram tanto a paz... Mas que paz? 
A paz que somente o Ressuscitado nos pode alcançar. 



Paz que é banir do coração medos e temores, 
Para manter sempre acesa a chama do fiel amor. 
Mantendo a chama mais bela sempre acesa, 
A chama da fidelidade na presença do Senhor. 

Paz que é experimentada por quem com Deus vive a comunhão. 
Paz de quem sabe que a alegria verdadeira não se rouba, 
Pois é construída na Verdade da Fé da Ressurreição. 
Paz saboreada e enraizada no mais profundo do coração. 

Paz, sentimento de quem alcançou a maturidade, 
De também na vida suportar sofrimentos, 
Pois sabe que do menor ao maior sacrifício, 
Com Cristo se configura, com paixão e sem lamentos. 

Esta paz verdadeira é o que desejo para você.
Esta paz que tanto procuro e espero alcançar...

Paz que não se compra e não se financia.
Paz nutrida pela Palavra e celebrada em cada Eucaristia.
Paz
 vislumbrada e contemplada no coração da Mãe Maria.

A Paz verdadeira somente Ele pode nos dar!

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG