Da negligência, livrai-nos, Senhor
No livro "Ditos anônimos dos Pais do Deserto" retomamos dois ditos sobre o tempo e a
negligência:
-
“Alguém contou que, quando os clérigos ofereciam a Eucaristia em Scete,
costumava descer a figura de uma águia sobre a oferenda e ninguém a via a não
ser os clérigos.
Certo
dia, um dos irmãos perguntou alguma coisa a um diácono e ele lhe disse: ‘Não
tenho tempo agora’.
Quando
chegaram para a oferenda, a figura de uma águia não desceu de costume.
O
sacerdote disse ao diácono: ‘Que negócio é esse que a águia não desceu como de
costume? A culpa está em mim ou em ti. Afasta-te de mim; e, se ela descer,
saberemos que é por tua causa que ela não desceu’.
Quando
o diácono se afastou, a águia desceu imediatamente e, quando a synaxis
terminou, o sacerdote disse ao diácono: ‘Dize-me o que fizeste’.
O
diácono assegurou-lhe: ‘Não tenho consciência de ter pecado, a não ser que
tenha sido quando um irmão se aproximou e perguntou-me alguma coisa e eu lhe
respondi: ‘Não tenho tempo’.
O
sacerdote disse: ‘Certamente foi por tua culpa que a águia não desceu, já que
magoaste o irmão’. E o diácono foi e pediu desculpas ao irmão.” (1)
- “Um
ancião disse: ‘A raiz de todos os males é a negligência.” (2)
Quem
nunca disse – “Não tenho tempo” diante de uma solicitação em todos os
âmbitos de nossa vida?
De
fato, podemos nos consumir pelo muito a fazer, sem tempo para a fraterna
acolhida de alguém, na atitude de escuta, atenção, uma palavra que, por vezes,
poderá fazer a diferença por toda a vida.
Não
ter tempo para esta ou aquela atividade pastoral que nos foi solicitada, e
tantos outros exemplos...
Ilumina-nos
o dito sobre a negligência: talvez por negligência na missão ou
responsabilidade confiada, podemos alegar a falta do tempo.
De
fato, o tempo é dom precioso e precisamos da vigilância e sabedoria para bem
vivê-lo, dando a ele conteúdo edificante.
Oremos:
Senhor
Deus, nós Vos agradecemos por cada minuto que nos concedeis, por Vossa infinita
bondade.
Suplicamos
a sabedoria para que vençamos toda forma de negligência e com sabedoria e ternura sejamos solícitos
aos que a nós acorrer, e que jamais saiam de mãos vazias, mas com a chama de fé
inflamada, e a semente de esperança no coração plantada. Amém.
(1) Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora vozes – 2023 – n.68-
p.76
(2)Idem
n. 65 – p.72

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