quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Da negligência, livrai-nos, Senhor

 


Da negligência, livrai-nos, Senhor

No livro "Ditos anônimos dos Pais do Deserto" retomamos dois ditos sobre o tempo e a negligência:

- “Alguém contou que, quando os clérigos ofereciam a Eucaristia em Scete, costumava descer a figura de uma águia sobre a oferenda e ninguém a via a não ser os clérigos.

Certo dia, um dos irmãos perguntou alguma coisa a um diácono e ele lhe disse: ‘Não tenho tempo agora’.

Quando chegaram para a oferenda, a figura de uma águia não desceu de costume.

O sacerdote disse ao diácono: ‘Que negócio é esse que a águia não desceu como de costume? A culpa está em mim ou em ti. Afasta-te de mim; e, se ela descer, saberemos que é por tua causa que ela não desceu’.

Quando o diácono se afastou, a águia desceu imediatamente e, quando a synaxis terminou, o sacerdote disse ao diácono: ‘Dize-me o que fizeste’.

O diácono assegurou-lhe: ‘Não tenho consciência de ter pecado, a não ser que tenha sido quando um irmão se aproximou e perguntou-me alguma coisa e eu lhe respondi: ‘Não tenho tempo’.

O sacerdote disse: ‘Certamente foi por tua culpa que a águia não desceu, já que magoaste o irmão’. E o diácono foi e pediu desculpas ao irmão.” (1)

- “Um ancião disse: ‘A raiz de todos os males é a negligência.”  (2)

Quem nunca disse – “Não tenho tempo” diante de uma solicitação em todos os âmbitos de nossa vida?

De fato, podemos nos consumir pelo muito a fazer, sem tempo para a fraterna acolhida de alguém, na atitude de escuta, atenção, uma palavra que, por vezes, poderá fazer a diferença por toda a vida.

Não ter tempo para esta ou aquela atividade pastoral que nos foi solicitada, e tantos outros exemplos...

Ilumina-nos o dito sobre a negligência: talvez por negligência na missão ou responsabilidade confiada, podemos alegar a falta do tempo.

De fato, o tempo é dom precioso e precisamos da vigilância e sabedoria para bem vivê-lo, dando a ele conteúdo edificante.

Oremos:

Senhor Deus, nós Vos agradecemos por cada minuto que nos concedeis, por Vossa infinita bondade.

Suplicamos a sabedoria para que vençamos toda forma de negligência  e com sabedoria e ternura sejamos solícitos aos que a nós acorrer, e que jamais saiam de mãos vazias, mas com a chama de fé inflamada, e a semente de esperança no coração plantada. Amém.

(1)  Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora vozes – 2023 – n.68- p.76

(2)Idem n. 65 – p.72

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