quinta-feira, 4 de junho de 2026

Oração para a Comunhão Espiritual (1) (Corpus Christi)

                                                      

Oração para a Comunhão Espiritual

Neste tempo de recolhimento, de isolamento social, para que juntos possamos vencer a pandemia que coloca em risco a nossa vida, as Missas não têm sido com participação presencial, e muitos não podem receber a Comunhão. 

No entanto, podem fazer a Comunhão Espiritual, revigorando a fé, para fazermos a travessia do mar, enfrentando os ventos e tempestades.

De outro lado, estamos redescobrindo o valor e a importância da Igreja Doméstica, a Família, reunida em oração, convivência, diálogo, mútua ajuda.

Entretanto, a muitos faz falta receber a Santa Comunhão, e uma forma é a Comunhão Espiritual, muito preciosa para nós, sobretudo neste momento que vivemos.  

Àqueles que não podem participar presencialmente da Santa Missa, ofereço esta Oração de Comunhão Espiritual, do Bispo Santo Afonso de Maria Ligório (séc. XVIII):

“Meu Jesus, eu creio que estais presente no Santíssimo Sacramento. Amo-Vos sobre todas as coisas e minha alma suspira por Vós. Mas como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, ao meu coração.

Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me convosco inteiramente. Ah! Não permitais que torne a separar-me de Vós! Ó, sumo bem e doce amor meu, vulnerai e inflamai o meu coração, a fim de que esteja abrasado em Vosso amor para sempre. Amém”.

Continuemos juntos na oração, renovando no Senhor nossa confiança:

“Provai e vede como o Senhor é bom, feliz de quem n’Ele encontra o seu refugio” (Sl 34,8).


PS: Postado em abril de 2020

Oração para a Comunhão Espiritual (2) (Corpus Christi)

                                   

                     Oração para a Comunhão Espiritual

“Aos Vossos pés, ó meu Jesus, me prostro e Vos ofereço o arrependimento do meu coração contrito que mergulha no Vosso e na Vossa santa presença. Eu Vos adoro no Sacramento do Vosso amor, desejo receber-Vos na pobre morada que meu coração Vos oferece.

À espera da felicidade da comunhão sacramental, quero possuir-Vos em Espírito. Vinde a mim, ó meu Jesus, que eu venha a Vós. Que o Vosso amor possa inflamar todo o meu ser, para a vida e para a morte. Creio em Vós, espero em Vós. Eu vos amo. Assim seja”. (1)


(1) Cardeal Rafael Merry del Val

As travessias e turbulências pelas quais passamos... (Corpus Christi)

                                                                  

As travessias e turbulências pelas quais passamos...
 

Águas agitadas e a força da Eucaristia
Em permanente travessia.
Ah! se não fosse a Eucaristia!
Eucaristia, sempre Eucaristia!

Com Ela o outro lado é o horizonte próximo
Adorar assiduamente a Eucaristia,
Com ela passaremos  a pé enxuto
As águas tumultuosas das lutas espirituais,
Levando-nos à paz!
 
Acreditar piamente,
Celebrar apaixonadamente,
Adorar piedosamente,
Viver intensamente a Eucaristia! 


Eucaristia, Sempre a Eucaristia!
Pão, força, vida, alegria  e luz 
em toda e qualquer travessia!
Amém. Aleluia! 

A lua e a avenida (Corpus Christi)

                                                               

A lua e a avenida

Pela vidraça da janela, eu via a lua
como que pousando suavemente sobre a avenida.

Os carros vinham e iam,
como que não permitindo que ela fizesse tal coisa,
mesmo porque obviamente não o faria.

Por poucos minutos aquele quadro ali estava estampado,
como que pintado pelas mais habilidosas mãos de um pintor.

Por pouco tempo pôde ser contemplado,
para sempre inesquecido.

Assim costumam ser algumas coisas maravilhosas
que acontecem em nossa vida.
Muitas coisas valem não pelo tempo que se prolongou enquanto fato,
mas quanto no coração e na memória tenham ficado.

De outro lado, há coisas que se prolongam
e que gostaríamos que fossem como uma nuvem que passa,
com formas e informes para outras tantas possíveis,
despertando nossa imaginação.

Aquele quadro que não sai de minha mente.

A avenida parecia terminar num horizonte
Aparentemente próximo e tangível,
mas bem sabemos que não.

A lua da mesma forma, como que convidando ao abraço,
ao recolhimento ainda que por um instante.
Mas tão distante também o sabemos.

A lua e a avenida são como as mais belas utopias
que nos movem,
os sonhos que nos impulsionam nos passos firmes a serem dados
conferindo à vida um belo sentido.

Intangíveis e por tão pouco tempo vistas:
o que buscamos não morre em nossa alma,
e de vez em quando,
vem à mente e nas palavras.

De vez em quando temos que ver
pelas vidraças do quarto escuro de nossa existência
uma luz brilhando no aparente ponto final de uma história,
de um acontecimento,
de um momento.

De vez em quando precisamos ver
o aparentemente intangível à nossa frente
para não fixarmos âncoras num passado
que às vezes não mais tem sentido.

Quem crê terá sempre à sua frente uma luz;
a luz do Espírito do Ressuscitado
que vem sempre ao nosso encontro,
atravessando as nuvens da história,
iluminando nossos obscuros caminhos.

Isto acontece em cada Eucaristia que celebramos
como bem disse o Papa São João Paulo II:

– “A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço de céu
que se abre sobre a terra; 
é um raio de glória da Jerusalém celeste, 
que atravessa as nuvens da nossa história
e vem iluminar o nosso caminho.”

Não preciso mais da lua, 
muito menos da avenida.
Não preciso mais daquele quadro,
mas do que ele me despertou:
fome e sede de Deus, 
que abundantemente nos sacia,
em cada Mesa da Palavra e da Eucaristia. 

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Josué, exemplo de fidelidade ao Senhor

                                                  


Josué, exemplo de fidelidade ao Senhor 

A passagem da primeira leitura do Livro de Josué (Js 24,1-2a.15-17.18b), por volta do século XII a.C, retrata sua fase final.
 
Jamais prescindir de Deus, é a grande mensagem desta passagem para a História da Humanidade em todo o tempo.
 
É uma catequese sobre o poder do Senhor a serviço do povo, que, por sua vez precisa aceitar os dons divinos e corresponder com fidelidade à Aliança com Deus e aos Mandamentos, de modo que o Povo de Deus não pode ser seduzido por outros deuses.
 
Renovar sempre os compromissos com o Senhor é certeza de vida e liberdade. Somente em Deus e com Ele se pode encontrar a vida em plenitude. 
 
Preciosa é a afirmação de Josué na escolha: “Se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses e a quem vossos pais serviram na Mesopotâmia, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor” (Js 24,15).
 
Deste modo, Josué é apresentado como modelo de líder: vive o que fala, assume e testemunha.
 
Também nossas famílias precisam deste testemunho de Josué, para que, como pequenas Igrejas domésticas, sejam espaço do aprendizado e vivência dos preceitos divinos, a fim de resplandecer a luz divina no mundo.

“Eu e minha família serviremos ao Senhor”

                                                                           

“Eu e minha família serviremos ao Senhor”

“A quem serviremos?”

Esta questão a família precisa se colocar todos os dias, e a resposta deve ser aquela que Josué deu naquele dia:  

“Se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses e a quem vossos pais serviram na Mesopotâmia, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor” (Js 24,15).


Sendo a família uma espécie de Igreja Doméstica, como nos ensina a “Lumen Gentium” (n.11), deve nutrir-se sempre da Divina Fonte do Amor, Jesus, que alarga os horizontes da vida, dando-lhe um novo sentido, novo odor e esplendor: odor do amor, luz que aquece e ilumina.

Ressoem em nosso coração as palavras do Bispo São João Crisóstomo (séc IV), que sugere aos jovens casados que façam este discurso às suas esposas, e que poderá também ser dito pelos cônjuges em juras eternas de amor:

“Tomei-te em meus braços, amo-te e prefiro-te à minha própria vida. Porque a vida presente não é nada e o meu sonho mais ardente é passá-la contigo, de maneira que estejamos certos de não sermos separados na vida futura que nos está reservada [...]. Ponho o teu amor acima de tudo, e nada me seria mais penoso do que não ter os mesmos pensamentos que tu tens”.

Que nas famílias haja sempre o silêncio orante, fecundo, em que as mais preciosas Sementes do Verbo, da Sua Palavra, caiam, floresçam e frutifiquem maravilhosamente, e nelas se vivam relações intensas e profundas de amor.

Deste modo, a família de fato servirá ao Senhor, e poderá dizer como Josué, quando na travessia pelo deserto rumo à Terra Prometida: “Eu e minha família serviremos ao Senhor”, porque Deus é a mais genuína e inesgotável fonte do Amor.

Inserida no Mistério de amor da Trindade Santíssima, a família viverá maior simplicidade, disponibilidade e alegria, dando cada um de sua pobreza, movidos pela oração, na mais bela e frutuosa devoção, imitando as virtudes de nossa tão querida Mãe da Igreja, Mãe das Famílias – Maria.

Perseverantes na participação da Mesa Sagrada da Palavra e da Santa Eucaristia, nossas famílias renovem a chama ardente do primeiro encontro, que o Senhor acendeu no coração de todos, e que esta jamais se apague, porque haverá de se eternizar no Céu, onde contemplaremos o Fogo Eterno do Amor de Deus, que jamais se apaga e se consome, e que apenas experimentamos. 

“Misericordiosos como o Pai”

                                                        


“Misericordiosos como o Pai”

“Pois, Deus não nos deu um espírito de timidez,
mas de fortaleza, de amor e sobriedade” (2Tm 1,6)

A Doutrina Social da Igreja, vivida à luz da misericórdia divina, nos faz “Misericordiosos como o Pai” (Lc 6,36), para que toda a Igreja se coloque a serviço da vida plena para todos.

Urge intensificar a formação de nossos agentes, fortalecendo a participação social e política dos cristãos leigos na construção de políticas públicas justas, bem como o fortalecimento das Escolas de Fé e Política, a fim de que evangelizemos como amor, zelo e alegria.

Vivendo concretamente a misericórdia, sempre conduzidos pelo Espírito do Senhor, que não nos deixou órfãos, e nos assiste e nos acompanha nesta missão de construir um novo céu e uma nova terra: “O Espírito do Senhor repousa sobre mim...” (Lc 4,18).

E é este mesmo Espírito que não nos permite timidez, omissão, indiferença diante dos inúmeros apelos de vida que clamam aos céus, no deserto árido de nossa cidade, porque somos discípulos missionários do Cristo Ressuscitado, que doou a própria vida para que todos tenham vida plena.

Oportunas são as palavras do Apóstolo Paulo a Timóteo: “Por este motivo, exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição de minhas mãos. Pois, Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e sobriedade” (2Tm 1,6).

Deste modo, conduzidos pelo protagonista da evangelização, que é o Espírito Santo, somos fortalecidos pela Doutrina Social da Igreja, na vivência das obras de misericórdia corporais (dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos); e espirituais (aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as fraquezas do próximo, rezar a Deus pelos vivos e defuntos).

Sejamos uma Igreja misericordiosa, e assim seremos  “misericordiosos como o Pai”, reaviando a chama da vocação como dom de Deus, e a graça de participar da missão evangelizadora que o Senhor nos confia.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG