quarta-feira, 3 de junho de 2026

Josué, exemplo de fidelidade ao Senhor

                                                  


Josué, exemplo de fidelidade ao Senhor 

A passagem da primeira leitura do Livro de Josué (Js 24,1-2a.15-17.18b), por volta do século XII a.C, retrata sua fase final.
 
Jamais prescindir de Deus, é a grande mensagem desta passagem para a História da Humanidade em todo o tempo.
 
É uma catequese sobre o poder do Senhor a serviço do povo, que, por sua vez precisa aceitar os dons divinos e corresponder com fidelidade à Aliança com Deus e aos Mandamentos, de modo que o Povo de Deus não pode ser seduzido por outros deuses.
 
Renovar sempre os compromissos com o Senhor é certeza de vida e liberdade. Somente em Deus e com Ele se pode encontrar a vida em plenitude. 
 
Preciosa é a afirmação de Josué na escolha: “Se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses e a quem vossos pais serviram na Mesopotâmia, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor” (Js 24,15).
 
Deste modo, Josué é apresentado como modelo de líder: vive o que fala, assume e testemunha.
 
Também nossas famílias precisam deste testemunho de Josué, para que, como pequenas Igrejas domésticas, sejam espaço do aprendizado e vivência dos preceitos divinos, a fim de resplandecer a luz divina no mundo.

“Eu e minha família serviremos ao Senhor”

                                                                           

“Eu e minha família serviremos ao Senhor”

“A quem serviremos?”

Esta questão a família precisa se colocar todos os dias, e a resposta deve ser aquela que Josué deu naquele dia:  

“Se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses e a quem vossos pais serviram na Mesopotâmia, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor” (Js 24,15).


Sendo a família uma espécie de Igreja Doméstica, como nos ensina a “Lumen Gentium” (n.11), deve nutrir-se sempre da Divina Fonte do Amor, Jesus, que alarga os horizontes da vida, dando-lhe um novo sentido, novo odor e esplendor: odor do amor, luz que aquece e ilumina.

Ressoem em nosso coração as palavras do Bispo São João Crisóstomo (séc IV), que sugere aos jovens casados que façam este discurso às suas esposas, e que poderá também ser dito pelos cônjuges em juras eternas de amor:

“Tomei-te em meus braços, amo-te e prefiro-te à minha própria vida. Porque a vida presente não é nada e o meu sonho mais ardente é passá-la contigo, de maneira que estejamos certos de não sermos separados na vida futura que nos está reservada [...]. Ponho o teu amor acima de tudo, e nada me seria mais penoso do que não ter os mesmos pensamentos que tu tens”.

Que nas famílias haja sempre o silêncio orante, fecundo, em que as mais preciosas Sementes do Verbo, da Sua Palavra, caiam, floresçam e frutifiquem maravilhosamente, e nelas se vivam relações intensas e profundas de amor.

Deste modo, a família de fato servirá ao Senhor, e poderá dizer como Josué, quando na travessia pelo deserto rumo à Terra Prometida: “Eu e minha família serviremos ao Senhor”, porque Deus é a mais genuína e inesgotável fonte do Amor.

Inserida no Mistério de amor da Trindade Santíssima, a família viverá maior simplicidade, disponibilidade e alegria, dando cada um de sua pobreza, movidos pela oração, na mais bela e frutuosa devoção, imitando as virtudes de nossa tão querida Mãe da Igreja, Mãe das Famílias – Maria.

Perseverantes na participação da Mesa Sagrada da Palavra e da Santa Eucaristia, nossas famílias renovem a chama ardente do primeiro encontro, que o Senhor acendeu no coração de todos, e que esta jamais se apague, porque haverá de se eternizar no Céu, onde contemplaremos o Fogo Eterno do Amor de Deus, que jamais se apaga e se consome, e que apenas experimentamos. 

“Misericordiosos como o Pai”

                                                        


“Misericordiosos como o Pai”

“Pois, Deus não nos deu um espírito de timidez,
mas de fortaleza, de amor e sobriedade” (2Tm 1,6)

A Doutrina Social da Igreja, vivida à luz da misericórdia divina, nos faz “Misericordiosos como o Pai” (Lc 6,36), para que toda a Igreja se coloque a serviço da vida plena para todos.

Urge intensificar a formação de nossos agentes, fortalecendo a participação social e política dos cristãos leigos na construção de políticas públicas justas, bem como o fortalecimento das Escolas de Fé e Política, a fim de que evangelizemos como amor, zelo e alegria.

Vivendo concretamente a misericórdia, sempre conduzidos pelo Espírito do Senhor, que não nos deixou órfãos, e nos assiste e nos acompanha nesta missão de construir um novo céu e uma nova terra: “O Espírito do Senhor repousa sobre mim...” (Lc 4,18).

E é este mesmo Espírito que não nos permite timidez, omissão, indiferença diante dos inúmeros apelos de vida que clamam aos céus, no deserto árido de nossa cidade, porque somos discípulos missionários do Cristo Ressuscitado, que doou a própria vida para que todos tenham vida plena.

Oportunas são as palavras do Apóstolo Paulo a Timóteo: “Por este motivo, exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição de minhas mãos. Pois, Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e sobriedade” (2Tm 1,6).

Deste modo, conduzidos pelo protagonista da evangelização, que é o Espírito Santo, somos fortalecidos pela Doutrina Social da Igreja, na vivência das obras de misericórdia corporais (dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos); e espirituais (aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as fraquezas do próximo, rezar a Deus pelos vivos e defuntos).

Sejamos uma Igreja misericordiosa, e assim seremos  “misericordiosos como o Pai”, reaviando a chama da vocação como dom de Deus, e a graça de participar da missão evangelizadora que o Senhor nos confia.

Celebremos exultantes de alegria os Mistérios da Fé

                                                                   

Celebremos exultantes de alegria os Mistérios da Fé

“Participando da Liturgia terrena saboreamos
antecipadamente a Liturgia que se celebra
na Santa Cidade, a Jerusalém Celeste.”


Entre tantas riquezas, o Concílio Vaticano II nos agraciou com a Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia. Embora inúmeras vezes citada, é possível que ainda seja desconhecida para alguns. Volto a ela, pois, sempre nos renova na Presidência de nossas Celebrações Eucarísticas.

“Cristo está sempre presente em Sua Igreja, principalmente nas Ações Litúrgicas. Está presente no Sacrifício da Missa, tanto na pessoa do Ministro, pois quem o oferece agora, através do Ministério dos Sacerdotes, é Aquele mesmo que Se ofereceu na Cruz, como, mais intensamente ainda, sob as Espécies Eucarísticas.

Está presente pela Sua virtude nos Sacramentos, pois quando alguém batiza é Cristo quem batiza. Está presente por Sua Palavra, pois é Ele quem fala, quando se lê a Sagrada Escritura na Igreja. Está presente, enfim, na Oração e Salmodia da Igreja, Ele que prometeu: Onde dois ou três se reúnem em meu nome, aí estou no meio deles.

De fato, nesta obra tão grandiosa em que Deus é perfeitamente glorificado e santificados os homens, Cristo une estreitamente a Si Sua esposa diletíssima, a Igreja, que invoca seu Senhor e, por Ele, presta culto ao eterno Pai.

Portanto, com razão, considera-se a Liturgia como o exercício do múnus sacerdotal de Jesus Cristo, onde os sinais sensíveis significam e, do modo específico a cada um, realizam a santificação do homem.

Assim, pelo Corpo místico de Jesus Cristo, isto é, Sua Cabeça e Seus membros, se perfaz o culto público integral. Por este motivo, toda Celebração Litúrgica, por ser ato do Cristo Sacerdote e de Seu Corpo, a Igreja, é a ação sagrada por excelência, cuja eficácia nenhuma outra obra da Igreja iguala no mesmo título e grau.

Participando da Liturgia terrena saboreamos antecipadamente a Liturgia que se celebra na Santa Cidade, a Jerusalém Celeste, para onde nos dirigimos como peregrinos, lá onde Cristo Se assenta à direita de Deus, Ministro do Santuário e do verdadeiro Tabernáculo.

Juntamente com todos os exércitos celestes, cantamos hinos de glória ao Senhor. Venerando a memória dos Santos, esperamos ter parte em sua companhia. Finalmente, estamos na expectativa do Salvador, nosso Senhor Jesus Cristo, que aparecerá, Ele, nossa vida, e nós também apareceremos com Ele na glória.

A Igreja, seguindo a tradição dos Apóstolos cuja origem remonta ao próprio dia da Ressurreição, celebra o Mistério Pascal cada oito dias, que por isto se chama Dia do Senhor ou Domingo.

Neste dia devem os fiéis reunir-se para escutar a Palavra de Deus e participar da Eucaristia, a fim de se lembrarem da Paixão, Ressurreição e Glória do Senhor Jesus, dando graças a Deus que os recriou para a esperança viva pela Ressurreição de Jesus Cristo, dentre os mortos.

Assim é o Domingo a Festa primordial e, como tal, seja apresentado e inculcado à piedade dos fiéis para que se lhes torne dia de alegria e de descanso dos trabalhos.

Todas as outras celebrações, a não ser que sejam realmente de máxima importância, não passem à sua frente porque é o fundamento e o cerne de todo o Ano Litúrgico.” (n.7)

Vemos que na Liturgia “Cristo une estreitamente a Si Sua esposa diletíssima, a Igreja, que invoca seu Senhor e, por Ele, presta culto ao  eterno Pai.”, portanto, seja aquele que preside, seja aquele que da Missa participa, deve deixar-se envolver pelo esplendor daquilo que se celebra.

Sem desrespeitar as rubricas litúrgicas, sem esvaziar o conteúdo e a estrutura dos  Ritos com que se celebra, devemos nos empenhar a fim de que nossas Missas sejam mais participadas, sejam verdadeiramente plenas, ativas, conscientes, frutuosas e piedosas.

A humildade: mãe e mestra de todas as virtudes

 


A humildade: mãe e mestra de todas as virtudes

Reflexão à luz dos Livros "Moralia" sobre Jó, escrito pelo Papa São Gregório Magno (Séc. VI)

Ouve, Jó, minhas palavras e escuta tudo o que digo. A ciência dos arrogantes tem isto de próprio, que eles não sabem comunicar com humildade o que ensinam e não conseguem apresentar com simplicidade as coisas boas que sabem.

Vê-se bem, pelo modo como ensinam, que se colocam, por assim dizer, em lugar muito elevado e olham de cima para os discípulos, postos embaixo, à distância, e não se dignam examinar juntos a questão mas apenas se impor.

Com razão disse deles o Senhor pelo Profeta: Vós os governáveis com severidade e tirania. Governam, na verdade, com severidade e tirania os que não se apressam em corrigir seus súditos, expondo-lhes serenamente as razões, mas em dobrá-los com aspereza e predomínio.

Bem ao contrário, a verdadeira ciência foge pelo pensamento, com tanto maior ímpeto desse vício da soberba, quanto com maior ardor persegue com as setas de suas palavras o próprio mestre da soberba.

Cuida de não apregoar por suas atitudes o vício que procura extirpar do coração dos ouvintes, mediante as palavras sagradas. Esforça-se por mostrar a humildade, que é a mestra e a mãe de todas as virtudes, tanto com as palavras quanto com a vida. Deste modo procura transmiti-la aos discípulos da verdade, mais por seu modo de ser do que pelas palavras.

Por isso, Paulo, falando aos tessalonicenses, como que esquecido das alturas de seu apostolado, disse: Fizemo-nos pequenos no meio de vós. Também o apóstolo Pedro ao dizer: Preparados sempre a dar satisfação a quem vos pede explicações sobre a esperança que tendes, afirma o dever de, na própria ciência da doutrina, manter a virtude do que ensina, acrescentando: Mas com modéstia e temor, em boa consciência.

Quando Paulo diz ao discípulo: Ordena e ensina com toda a autoridade, não fala de um domínio, mas se refere ao dever de persuadir pela autoridade da vida. Com autoridade se ensina aquilo que se vive antes de dizê-lo, pois não se tem confiança na doutrina quando a consciência impede a fala. Por conseguinte, Paulo não lhe sugeriu a força de palavras soberbas, mas a confiança da vida reta.

Sobre o Senhor está escrito: Ensinava como quem tinha poder, não como os escribas e fariseus. De modo singular e essencial foi ele o único a pregar o bem com autoridade, porque nunca cometeu mal algum por fraqueza. Com efeito, pelo poder da divindade, possuía o que nos ministrou pela inteireza de sua humanidade.” (1)

Peçamos a Deus o dom da ciência e jamais sejamos soberbos ou nos falte a necessária humildade que é mãe de todas as virtudes como afirmou o Papa:

“Esforça-se por mostrar a humildade, que é a mestra e a mãe de todas as virtudes, tanto com as palavras quanto com a vida. Deste modo procura transmiti-la aos discípulos da verdade, mais por seu modo de ser do que pelas palavras.”

(1) Liturgia das Horas – Volume III Tempo Comum – Editora Paulus - p.270-271

Inflamados de amor pelo Senhor

                                                              

Inflamados de amor pelo Senhor

“Por este motivo, exorto-te a reavivar o dom espiritual que
Deus depositou em ti pela imposição das minhas mãos.
Pois Deus não nos deu um espírito de medo, mas um
espírito de força, de amor e de sobriedade”
(2 Tm 1,6-7).

Reflexão à luz da passagem da Segunda Carta do Apóstolo Paulo a Timóteo (2 Tm 1,1-3.6-12).

O Apóstolo exorta Timóteo a reavivar a vocação, reanimando o carisma que recebeu, à luz da escuta da Palavra Divina, da comunhão com Deus e dos Sacramentos, que nos comunicam a graça de Deus.

É preciso viver as qualidades fundamentais, que devem estar presentes na vida do Apóstolo:

- a fortaleza frente às dificuldades;
- o amor que impulsiona para uma entrega total a Cristo e ao rebanho;
- a prudência necessária para animação e orientação da comunidade.

Com isto, se afasta o perigo das desilusões, fracassos, monotonia, fragilidade humana, que enfraquecem o entusiasmo original, levando à perda das motivações primeiras do compromisso com Jesus e a Boa-Nova do Reino.

É preciso despir-se de toda preguiça, inércia, comodismo, renovando as forças e a coragem para superar todo medo, e, assim, vencermos as dificuldades que nos impedem de viver inteiramente para Deus e para nosso próximo.

Impelidos pelo Amor divino, vamos bem mais longe, reavivando a vocação como dom de Deus, encontro de duas liberdades: a divina que chama, e a humana que responde.

A vocação é sempre fecunda se for fruto de um encontro que muda a vida de quem encontra o Senhor, como bem afirmou o Papa Bento XVI:

«No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um “mandamento”, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro» (Deus Caritas Est, 1). 

Não nos foi dado um espírito de timidez

                                                                 

Não nos foi dado um espírito de timidez

Reflexão à luz da passagem da Carta do Apóstolo Paulo a Timóteo (2 Tm 1,6-8.13-14), na qual o Apóstolo exorta Timóteo, e toda a comunidade a se manterem fiéis no discipulado, deixando de lado todo o medo, acomodação, instalação e distração.

Na vida dos discípulos missionários, não pode haver lugar para o desânimo e vacilo na fé. É preciso manter o ânimo, com fortaleza, enfrentar e superar as dificuldades, com fidelidade total no testemunho da fé n’Aquele que nos chamou, Jesus.

Tomando consciência da presença amorosa e da preocupação de Deus para conosco, continuar no bom combate, no testemunho da fé. É preciso sempre levar a sério a vocação para a qual Deus nos chama, superando toda e qualquer forma de timidez, medo, insegurança...

A presença amorosa de Deus, a sentimos pela ação do Espírito Santo, certos de que não nos foi dado “Espírito de timidez, mas de força, de amor, de sabedoria”:

“Não devemos envergonhar-nos de dar testemunho de Cristo. É necessário coragem diante dos opositores externos e internos à comunidade. Como Paulo, que não tem desgostos, porque lutou bem e está em vias de dar a Cristo o supremo testemunho de fé e amor, precisamos não nos deixar desgastar pela luta, mas permanecer unidos aos que receberam de Cristo a missão de guiar a comunidade dos fiéis” . (1)
Com a graça, a misericórdia e a paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor, reavivemos a chama do dom de Deus que nos foi concedida pela misericórdia divina, e não nos envergonhemos de dar testemunho de nosso Senhor e de todos os que por Ele foram chamados para a continuidade de Sua missão, como nos exortou o próprio Apóstolo Paulo (2Tm 1,8).

Renovemos, portanto, a alegria e o ardor na graça de sermos discípulos missionários do Senhor, fazendo a mais bela súplica: 

Enviai-nos, Senhor, o Vosso Espírito e renovai as nossas forças. 

Enviai-nos, Senhor, Vosso Espírito, e tudo se renovará. Amém. Aleluia!

(1) Missal Cotidiano - Editora  Paulus - p. 856
PS: Apropriado para a passagem 2 Tm 1,13.6-12

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