segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Oração aos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael

                                                             

Oração aos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael

No dia 29 de setembro, celebramos a Festa dos Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael.

Rezemos esta oração feita pelo Papa em homilia no dia 29 de setembro de 2017, na Casa Santa Marta. Embora simples, muito nos ajuda a viver a graça da missão que o Senhor nos confia.

Sejam os Arcanjos, que contemplam a face de Deus, presentes em nosso testemunho de fé, em nossa ação evangelizadora, nas pequenas e grandes batalhas do cotidiano, como tão bem expressou o Papa na mesma homilia:

“Somos – por assim dizer – ‘irmãos’ na vocação’. E eles estão diante do Senhor para servi-Lo, louvá-Lo e também para contemplar a glória do rosto do Senhor. Os anjos são os grandes contemplativos. Eles contemplam o Senhor; servem e contemplam. Mas também o Senhor os envia para nos acompanhar no caminho da vida.”

Rezemos com o Papa:

“Miguel, ajude-nos na luta; cada um sabe qual luta tem em sua vida hoje. Cada um de nós conhece a luta principal, que faz arriscar a salvação.

Ajude-nos, Gabriel, traga-nos notícias, traga-nos a Boa Notícia da Salvação, que Jesus está conosco, que Jesus nos salvou e nos dê esperança.

Rafael, segure a nossa mão e nos ajude no caminho para não errarmos a estrada, para não permanecermos parados. Sempre caminhando, mas ajudados por você”. Amém.

Com a proteção dos Arcanjos, contemos

                                                 

Com a proteção dos Arcanjos, contemos 

Batalha, cura e missão 

No dia 29 de setembro, a Igreja celebra a Festa dos Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael, tendo como textos bíblicos: Dn 7,9.13-14 (ou Ap 12,7-12a); Sl 137 (138); Jo 1,47-51). 

Os nomes dos arcanjos revelam uma missão, e no Missal Romano, temos o comentário que nos apresenta cada Arcanjo com uma missão específica: 

Miguel: nome hebraico que significa – “Quem é como Deus?”. 

É o Arcanjo que se insurgiu contra satanás e seus seguidores (Jd 9; Ap 12,7; Zc 13,1-2); é o defensor dos amigos de Deus (Dn 10,12.21), e protetor do Seu povo (Dn 12,1). 

No Novo testamento, encontramos na Carta de São Judas (v.9), em que ele é nos apresentado numa luta contra Satanás pelo corpo de Moisés. 

Também encontramos no Livro do Apocalipse (Ap 12,7), em que Miguel e os anjos combatem contra o dragão. 

Celebra-se, no dia 29 de setembro, em Roma, o aniversário da dedicação de uma Igreja a este Arcanjo. 

Cedo se tornou muito popular no culto cristão; inclusive na Liturgia dos mortos é pedido ao mesmo que acompanhe as almas, ao céu. 

Gabriel: significa - “A força de Deus”.

É um dos espíritos que estão junto de Deus (Lc 1,19), e revela a Daniel os segredos do Plano de Deus (Dn 8,16; 9,21-22); anuncia a Zacarias o nascimento de João Batista (Lc 1,11-20); anuncia a Maria o Nascimento do Salvador, Jesus Cristo, Lc 1,26-38). 

Rafael: significa – “Deus curou”.

Está entre os sete Anjos que estão diante do Trono de Deus (Tb 12,15; Ap 8,2); acompanha e protege Tobias nas peripécias de sua viagem como portador de salvação e cura-lhe o pai cego. 

O Evangelista São Lucas apresenta muitas vezes a intervenção dos anjos nas origens da Igreja, porque com a vinda de Cristo, a humanidade entrou num novo tempo, no qual Deus Se faz próximo da humanidade e o céu está unido a terra. 

Na passagem da Epístola aos Hebreus (Hb 1,14), os anjos vêm de Deus, como “enviados a serviço, para vantagem daqueles que devem ser salvos”. 

Afirma o Missal Romano, especialmente na Liturgia Eucarística, que a Igreja, peregrina sobre a terra, associa-se às multidões dos Anjos que, na Jerusalém Celeste, cantam a glória de Deus (Ap 5,11; SC 8). 

Na primeira Oração da Missa, reconhecemos a bondade divina que nos colocou seus Anjos que servem a Deus no céu, como nossos protetores aqui na terra. 

Na Oração sobre as Oferendas, pedimos que os Anjos levem à presença de Deus, nossas oferendas de louvor, apresentadas com humildes preces, e que sejam por Deus recebidas com agrado, por meio de Cristo, que é Nosso Senhor. 

Na última Oração, uma vez alimentados pela força do Pão do Céu, a Eucaristia, pedimos a Deus que, sob a proteção dos Seus Anjos, progridamos no caminho da Salvação, pelo mesmo Cristo e Senhor Nosso. 

Finalmente, no Prefácio dos Anjos desta Missa, assim rezamos:

“... É a Vós que glorificamos (Deus Pai Santo, Deus eterno e todo-poderoso), ao louvarmos os Anjos, que criastes e que foram dignos do Vosso amor. A admiração que eles merecem nos mostra como sois grande e como deveis ser amado acima de todas as criaturas...”. 

Contemos sempre com suas presenças, ainda que não os vejamos, para experimentarmos, em todos os momentos, a força de Deus, curados de nossas enfermidades, fraquezas, para que assim sejamos, também, alegres anunciadores da Boa Notícia do Reino, sobretudo aos que mais precisarem. 

Concluindo, contemos sempre com a presença e a companhia dos anjos e arcanjos, a fim de que vivamos o bom combate da fé, sobretudo quando surgirem dificuldades e provações, na realização de nossa missão por Deus confiada, como discípulos missionários do Senhor, pois também precisamos da cura, para que, sãos de corpo e espírito, não esmoreçamos em nosso testemunho de fé, rejuvenescendo nossa esperança no fortalecimento da caridade. 

Oremos: 

“Ó Deus, que organizais de modo admirável o serviço dos Anjos e dos homens, fazei sejamos protegidos na terra por aqueles que Vos servem no céu. Por N.S.J.C. Amém”.


Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus – pp.1752-1754


O pecado capital da soberba

                                                        

O pecado capital da soberba

São Bernardo nos apresenta as diferentes manifestações progressivas da soberba, das quais devemos ficar sempre vigilantes.

À luz destas, apresento uma breve oração:

Senhor Jesus, a Vós que dissestes: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11, 29), nós Vos pedimos:

Livrai-nos da curiosidade, de querer saber tudo de todos, sem que seja, de fato, preocupação em edificar e construir fraternidade e comunhão.

Livrai-nos da frivolidade de espírito, porque a falta de profundidade na oração e na vida leva-nos à futilidade e vazio sem sentido.

Livrai-nos da alegria tola e deslocada, que se alimenta, frequentemente, dos defeitos dos outros e os ridiculariza, prevalecendo-nos das fraquezas do próximo.

Livrai-nos da arrogância, pois esta atitude nos torna vaidosos, orgulhosos, não reconhecendo a importância do outro.

Livrai-nos da arrogância que nos cega, levando-nos à indiferença ou até mesmo a pisar sobre os mais fracos, fechando-nos em nós mesmos.

Livrai-nos da presunção, com conceito maior de nós mesmos, a ponto de não reconhecermos, humildemente nossas fraquezas e limitações.

Livrai-nos do fechamento da mente e do coração, não reconhecendo jamais as falhas próprias, ainda que sejam notórias para todos com os quais convivemos.

Livrai-nos do medo de conhecer a autêntica realidade do nosso coração, e que não sejamos dados a pisar sobre os outros, seja em pensamento ou em atitudes. 

Livrai-nos da relutância, medo ou indiferença em abrir nossa alma ao sacerdote no Sacramento da Penitência, por não reconhecermos nossos pecados. Amém.

A santidade matrimonial

                                                       

A santidade matrimonial

“Do divórcio do coração, livrai-nos Senhor”

Reflexão à luz da passagem do Evangelho (Mt 5,17-37), em que Jesus ratifica a indissolubilidade do Sacramento do Matrimônio (cf. também Mt 19, 1-9, Mc 10,1-12 ).

Uma reflexão para os casais e a quantos possa interessar, para acender uma fagulha de luz, iluminando a sagrada missão de santificar nossas famílias, e redescobrir caminhos para menos divórcios do coração, e assim, a família cumpra sua missão, não obstante todas as dificuldades e ventos contrários.

Quantos casais, neste sentido, vivem há anos num divórcio prático, ratificado e consumado, isto é, querido e atuado? Quando, por exemplo, entre marido e mulher não se tem nem a vontade de se perdoar, de se reconciliar, quando reina a indiferença, é divórcio de fato, do coração. É o repúdio sem formulações legais! O mandamento de Deus está violado, não se é mais ‘uma só carne’.

Fala-se muito dos terríveis males do divórcio jurídico: mulheres condenadas à solidão, filhos destruídos psicologicamente pela escolha penosa que devem fazer entre a própria mãe e o próprio pai.

Conheço uma criança nesta situação; depois que vi seus olhos, não preciso mais ouvir conferências sobre os males do divórcio: os vi todos estampados naqueles olhos de passarinho ferido.

Mas os males deste outro divórcio são, talvez, muito menores para a sociedade e para os filhos? Há tantos meninos desnorteados, drogados, violentos que não são filhos de divorciados casados de novo; são filhos de pais que vivem no divórcio do coração, que brigam, se ofendem ou se calam obstinadamente, reduzindo assim a família a um tenebroso inferno.

‘O homem não separe’ significa sim: a lei humana não separe; mas significa também, e antes de tudo: o marido não separe a mulher de si, a mulher não separe de si o marido.

É bem pouco o que se pode fazer depois que este divórcio aconteceu há anos. Mas muito, porém, se pode fazer no início para impedir que o divórcio aconteça.

Jesus lembra a unidade: ‘não serão senão uma só carne’, isto é, quase uma só pessoa, com a concórdia nos mesmos projetos e sentimentos; implicitamente inculca a construir sobre a unidade e renová-la cada dia. Como?

Procurando resolver logo que surgem os problemas, as incompreensões, as friezas. ‘Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento’ (Ef 4,26); esta recomendação do apóstolo, aplicada para os cônjuges, soa assim: antes do sol se deitar fazei as pazes; significa que não se pode deitar sem ser perdoados, nem que seja só com um olhar.

Depois a confiança recíproca; esta é como um lubrificante: falar, comunicar as próprias dificuldades e também as próprias tentações. Se a gente dissesse ao próprio cônjuge aquilo ou parte daquilo que se diz ao confessor ou se escreve ao diretor de certas revistas, quantos problemas seriam resolvidos! Enquanto há confiança recíproca, o divórcio fica longe.

A expressão ‘uma só carne’ lembra veladamente e outro meio humano para evitar o divórcio do coração: fazer da união sexual um momento de autêntica doação, abandono, humildade, de modo que sirva para restabelecer a paz e a confiança recíproca.

Continuar a ver sempre na mulher, como sugere a Bíblia, também depois que passaram os anos ‘ a mulher da própria juventude’ e no marido o homem da própria juventude, isto é, o ser que te deu sua juventude (cf. Pr 5,18).

Devemos nos convencer de que tudo isto não basta e que são necessários os meios espirituais: sacrifício e oração. Se o matrimônio encontra tanta dificuldade de se manter unido, é porque enfraqueceu o espírito de sacrifício e se quer só receber do outro, antes de dar ao outro.

A Oração! A melhor é aquela feita juntos,  marido e mulher. Mas a ela acrescentemos hoje também a oração comunitária: rezemos pelos casais e para aqueles que estão se encaminhando ao matrimônio; que o Senhor afaste deles o divórcio do coração”. (1)

Elevemos a Deus orações para que todos os lares sejam candelabros, onde a luminosidade divina não falte, ainda que a família passe por momentos difíceis, provações, inquietações.

Unamo-nos em oração e nos diversos trabalhos realizados pela Igreja em prol da Família, como tão bem nos exortou o Papa Francisco na Exortação – “Amoris Laetitia”.

Tenhamos sempre a Sagrada Família como modelo, inspiração e a ela recorramos sempre, para santificar e solidificar nossas famílias na rocha da Palavra, que é o próprio Jesus, Nosso Senhor (Mt 7, 21-27).


(1) O Verbo Se faz Carne -  Raniero Cantalamessa - Editora Ave Maria - 2013 - pp.447-448

Em poucas palavras...

                                                    


Quedas e tentações

“‘O diabo ronda como leão rugidor procurando a quem devorar’ (1 Pd 5,8). Nesta vida, não está o cristão de modo algum isento, um instante que seja, de tentações e quedas.

Estas, porém, podem ser superadas, porque Deus conhece nossas forças e não permite que as tentações as superem. O homem encontra força na comunhão com Deus. Jó é modelo em toda provação e tentação.” (1)

 

(1)               Comentário do Missal Cotidiano – Editora Paulus – passagem do Livro de Jó (Jó 1,6-22) – pág. 1323

domingo, 28 de setembro de 2025

A Parábola do rico e do pobre Lázaro (XXVIDTCC)

                                                      

A Parábola do rico e do pobre Lázaro

Quem são os “Lázaros” de nosso tempo?

A Liturgia do 26º Domingo do Tempo Comum (ano C) nos convida a refletir sobre nossa relação com os bens: bens que passam e que devem ser usados, e os bens eternos, que devem ser abraçados.

Na primeira Leitura (Am 6, 1a.4-7) Amós, o “Profeta da justiça social”, denuncia a exploração dos ricos sobre os pobres, um luxo vivido à custa da exploração dos pobres.

Sua voz é um grito profético sobre esta situação, e Deus não Se faz indiferente, e não compactua com esta realidade, porque não é o Seu Projeto pensado e querido para a humanidade.

O grito do Profeta Amós ultrapassa seu tempo e chega até nós, pois também vivemos situações de desigualdade, exploração e miséria que precisam ser superadas: gastos com supérfluos, contrastando com realidades abomináveis de fome, desnutrição, sede e muito mais a ser mencionado.

Na fidelidade a Deus, vivendo a vocação profética, não podemos nos furtar de sagrados compromissos para que todos tenhamos uma vida plena e feliz.

Na passagem da segunda Leitura (1 Tm 6,11-16), o Apóstolo Paulo traça o perfil de alguém que serve a Deus, com uma desejável vida santa: deve amar os irmãos, ter fé, ser paciente, perseverante, justo, piedoso, terno, vive totalmente voltado para o outro em doação e serviço; entusiasmado na vivência do ministério; fidelidade na transmissão e vivência da Doutrina que ensina.

Reflitamos:

- Quais das características citadas estão presentes em nós, como discípulos missionários do Senhor?

Na passagem do Evangelho (Lc 16, 19-31), ouvimos a Parábola do rico e do pobre Lázaro, que é uma catequese sobre como devemos possuir os bens e não sermos possuídos por eles, vivendo o amor, a partilha e a solidariedade, sobretudo com os mais pobres, com os “Lázaros” de cada tempo.

Com a Parábola, entre outros ensinamentos, aprendemos que enquanto a Palavra de Deus não for acolhida no mais profundo do coração, a ponto de determinar nossos pensamentos, escolhas e ações, permaneceremos mergulhados na escuridão, encalacrados no egoísmo, no orgulho, na autossuficiência, sem jamais entender e viver a graça do amor e da partilha.

Não podemos perpetuar situações em que um quarto da humanidade fica com oitenta por cento dos recursos disponíveis do planeta, enquanto três quartos ficam com o restante (vinte por cento).

Muito bem nos ensina a Igreja, perita em humanidade: “Deus destinou a terra com tudo o que ela contém par auso de todos os homens e povos; de modo que os bens criados devem chegar equitativamente às mãos de todos...” (Gaudium et Spes n. 69).

O rico da Parábola não tem nome, pois pode ser cada um de nós; representa a humanidade, mas o pobre tem nome, chama-se “Lázaro”, que tem apenas os cães para lhe lamberem a ferida, amenizando a dor, servindo-lhe de companhia na dor da solidão, da marginalização e do abandono.

Que nossos olhos, ouvidos, coração sejam abertos para contemplar a face de Deus e escutar Sua Palavra, para que vivamos o amor, a solidariedade e a partilha com os “Lázaros” de cada tempo.

Os “cães” da Parábola e os “ais” do Profeta Amós devem ser interpelação constante para todos nós, no amor de compaixão, para a superação de relações pecaminosas de miséria e opressão.

Para tanto, as características dos discípulos mencionadas (segunda leitura) devem estar presentes em nós. Somente assim a eternidade será alcançada.

Cremos que, na vivência das Obras de Misericórdia, muito poderemos contribuir na transformação das estruturas sociais injustas. 

É sempre oportuno lembrar as Obras de Misericórdia Corporais e Espirituais:

- Obras de Misericórdia Corporais: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos. 

- Obras de Misericórdia Espirituais: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as fraquezas do próximo, rezar a Deus pelos vivos e defuntos.

Reflitamos:

- Como usamos os bens que nos são confiados?
- Sabemos partilhar com os outros os bens que possuímos?

- Quais são nossas riquezas que precisamos colocar em comum em alegre sinal de amor, comunhão, partilha e solidariedade?

- Quem são os “Lázaros” que se encontram em nossas portas?
- O que fazemos concretamente em seu favor?

Continuemos em permanente vigília e conversão, para que nos empenhemos na superação desta brutal e pecaminosa realidade, que se manifesta em inúmeras formas de desigualdade e injustiça social, no bom combate da fé vivido, comprometidos com um novo céu e uma nova terra.


Fonte inspiradora: www.Dehonianos.org/portal

Misericórdia e compaixão para com os “Lázaros” de nosso tempo (XXVIDTCC)

                                                        

Misericórdia e compaixão para com os “Lázaros” de nosso tempo

A Liturgia do 26º Domingo do Tempo Comum nos apresenta a Parábola do rico e do pobre Lázaro (Lc  16, 19-31).

O Papa Bento XVI, em seu Livro “Jesus de Nazaré”, muito nos enriquece com sua reflexão, em que destaco alguns pontos essenciais:

Inicialmente,  o Papa nos fala sobre a essência da mensagem da Parábola do Lázaro (que quer dizer Deus é nosso auxílio); o apelo para o amor e a responsabilidade para com nossos irmãos empobrecidos, tanto no nível menor de nossas ações cotidianas, como em nível mundial:

“Também nesta história se encontram diante de nós duas figuras contrastantes entrei si: o rico, que se regala no seu bem-estar, e o pobre, que nem sequer pode apanhar as migalhas que os ricos dissipados atiram da mesa – segundo os costumes de então, pedaços de pão com os quais purificavam as mãos e que depois atiravam para fora. Os Padres da Igreja classificaram em parte também esta Parábola segundo o esquema dos dois irmãos e aplicaram-na à relação de Israel (o rico) e da Igreja (o pobre Lázaro)...

Na realidade, o Senhor quer com esta história justamente nos introduzir no processo do ‘despertar’, que está sedimentado nos Salmos. Não se trata aqui de uma condenação barata da riqueza ou dos ricos nascida da inveja...

E assim devemos, mesmo isso não estando no texto, dizer, a partir dos Salmos, que o libertino rico era já neste mundo um homem de coração vazio, que queria na sua devassidão apenas abafar o vazio, que já constava no aquém.

Naturalmente esta Parábola, à medida que nos desperta, é ao mesmo tempo um apelo para o amor e para a responsabilidade que precisamos ter para com os nossos irmãos pobres, quer no plano da sociedade mundial, quer na pequenez do nosso cotidiano".

Outro ponto culminante é a exigência de sinais:

“A resposta de Abraão, bem como a resposta de Jesus, à exigência de sinais dos seus contemporâneos fora do mistério é clara: quem não acredita na Palavra da Escritura também não acreditará em alguém que venha do além...

Uma coisa é clara: o sinal de Deus para os homens é o Filho do Homem, é Jesus. E Ele o é profundamente no Seu Mistério Pascal, no Mistério da Morte e da Ressurreição. Ele mesmo é o ‘sinal de Jonas’. Ele, o Crucificado e o Ressuscitado, é o verdadeiro Lázaro: a Parábola, que é mais do que uma Parábola, convida-nos a acreditarmos e a seguirmos este grande sinal de Deus. Ele fala da realidade, da realidade mais decisiva da história em absoluto” . (P. 187-191)".

Esta Parábola nos convida a refletir e fortalecer nossos passos num caminho contínuo de conversão, para que nosso amor a Deus se expresse em real amor e compromisso com os Lázaros de cada tempo.

As ações solidárias para com Lázaro haverão de ser frutos do esforço que fizermos, numa sincera abertura à graça divina, que nos é derramada abundantemente.

A solidariedade com os “ Lázaros” deve ser a mais bela expressão de misericórdia entre nós vivida, para que misericordiosos como o Pai sejamos.

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