terça-feira, 15 de setembro de 2026

Em poucas palavras...

 


Maria aos pés da cruz

“João, Mãe, te é entregue em vez de Jesus, o servo em lugar do Senhor, o discípulo pelo Mestre, o filho de Zebedeu pelo Filho de Deus, o puro homem, em vez do Deus verdadeiro.” (1)

 

 

(1)        São Bernardo – séc. XII

Em poucas palavras...

                                                                  


“Ó Deus, junto vosso filho exaltado na cruz...”

“Ó Deus, junto ao vosso Filho exaltado na cruz, quisestes que a Mãe estivesse de pé sofrendo com ele. Concedei que a vossa Igreja, associada com Maria à paixão de Cristo, mereça participar da sua ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.  (1)

 

(1)        Oração do dia – Missa da Memória de Nossa Senhora das Dores 

Pétalas/sépalas

 


Pétalas/sépalas

No jardim, as rosas se sobressaem pela beleza, perfume e cor.
Suavidade em cada pétala, por vezes desfolhadas,
Em “mal me quer, bem me quer”, brinquedo de enamorados.
 
Pétalas são conhecidas, variadas em cores e formatos,
Em poesias, músicas, entre páginas guardadas,
Suaves e doces lembranças de encontros vividos.
 
Mas não haveria as pétalas, não fossem as sépalas,
Que por um tempo as preservaram para que se abrissem
Em botões para decorações e selar puras emoções.
 
Sépalas? Quem delas poesia faria, e encanto despertaria?
Sépalas, no anonimato e escondimento, dobram-se suavemente,
Quase imperceptíveis aos olhos, mas ali estiveram e estarão.
 
Penso nas sépalas nossas de cada dia,
Não as da rosa do meu ou do teu jardim,
Mas aquelas que são fundamentais para mim.
 
Sépalas mães, que por um tempo, no ventre,
Uma vida fecundam no silêncio, por vezes na dor,
Acolhidas como sinais de bênção do Amado Senhor.
 
Sépalas pais, que em imprescindível presença, 
coragem, afeto, proteção, pão de cada dia, 
força e confiança oferecem.

Sépalas, profissionais da saúde, cultura e educação.
Outros tantos impossível  serem aqui mencionados.
Com seu suor e trabalho prolongam a obra da criação.
 
Sépalas de nossas comunidades de fé,
Que se desdobram, se curvam humildemente,
Discípulos/as do Servo que se fez Servidor.
 
Em formações, encontros, catequese,
Cantos, acolhidas, visitas, celebrações.
Palavra proclamada que arde corações.
 
Assim é a história da humanidade,
A beleza das “pétalas”, o escondimento das “sépalas”,
Em harmonia para que o Jardim do Senhor floresça.
 
Pétalas, beleza e encanto para os olhos.
Sépalas, beleza e encanto para o coração
Em perfeita sintonia, sagrado abraço e comunhão. Amém.


 
PS: Sépalas são as estruturas em forma de folha localizadas na parte mais externa de uma flor, cuja principal função é proteger o botão floral antes de ele se abrir.
Pétalas são folhas modificadas que formam a parte colorida e mais visível de uma flor.

Maria, a Mãe que cremos e amamos (Papa Leão XIV)

                                                           


Maria, a Mãe que cremos e amamos

Maria, cremos que tu és:

- A primeira discípula, quem melhor aprendeu as coisas de Jesus, teu Amado Filho;

- A primeira daqueles que «escutam a Palavra de Deus e a põem em prática» (Lc 11, 28);

- A primeira a colocar-se entre os humildes e pobres do Senhor para nos ensinar a esperar e receber, com confiança, a salvação que vem apenas de Deus;

- A primeira a quem Jesus parecia dizer: “Segue-me”, mesmo antes de dirigir este chamamento aos Apóstolos ou a quaisquer outros (cf. Jo 1, 43)»;

- Modelo de fé e caridade para a Igreja pela sua obediência à vontade do Pai, cooperadora na obra redentora do seu Filho na abertura à ação do Espírito Santo;

- Aquela a quem mais valeu ser discípula de Cristo do que ter sido mãe de Cristo, como nos falou Santo Agostinho;

- Mais discípula que mãe, a primeira e a mais perfeita discípula de Cristo;

- Mãe, e que  Cristo te entregou a nós porque não quer que caminhemos sem uma mãe;

- A Mãe fiel que se tornou «Mãe de todos os que creem, e ao mesmo tempo, é «a Mãe da Igreja evangelizadora, e nos acolhe assim como Deus nos quis convocar, não apenas como indivíduos isolados, mas como Povo que caminha;

- A nossa Mãe, que quer sempre caminhar conosco, estar perto, ajudar-nos com a sua intercessão e o seu amor;

- A Mãe do Povo fiel que, movida por uma ternura amorosa, caminha em meio ao seu povo e cuida das suas angústias e vicissitudes. Amém.

 

PS: Fonte - Dicastério para a Doutrina da Fé  - Mater Populi fidelis - Nota doutrinal sobre alguns títulos marianos referidos à cooperação de Maria na obra da Salvação – parágrafos n.73.76

 

As Sete Dores de Maria

                                                       

As Sete Dores de Maria

Contemplo a profecia de Simeão (Lc 2,35):
A espada que transpassaria tua alma.
E assim se fez, no ápice momento,
Aos pés da crudelíssima Cruz.
 
Contemplo a tua fuga para o Egito (Mt 2,13s):
Com José ao teu lado, para defender a vida
Da frágil Criança, que faz tremer as forças do mal,
Que faz cegar pelo medo o coração de Herodes.
 
Contemplo a perda de Jesus no templo (Lc 2,48):
Discutindo com os doutores O encontraste,
Das coisas do Pai já Se ocupando,
Teu coração vivendo proximidade e separação.
 
O caminho para o calvário (Lc 23,27):
Em silêncio acompanhas, nada podes fazer,
A dor te consome. Porém maior que a dor,
É o amor que te une ao teu Filho.
 
A crucificação de Jesus (Lc 23,33):
Como Ele, te sentes crucificada,
Não te afastas sequer por um momento.
Quem poderia sofrer tamanha dor e tormento?
 
Jesus deposto na Cruz (Jo 19,38):
Há pouco, Ele nos deu como nossa mãe;
No discípulo amado, nos fez teus filhos.
Recebe no teu colo quem que no teu ventre foi concebido.
 
A sepultura de Jesus, teu Filho (Jo 19,40s):
Serenidade e doçura tu conservas,
Após três dias sombrios e frios,
Morte vencida na madrugada da Ressurreição. Amém.
 

A autêntica devoção à Nossa Senhora das Dores

 


A autêntica devoção à Nossa Senhora das Dores
 
A devoção às dores de Maria foi a princípio mais popular do que litúrgica, difundida particularmente pelos Servitas e Passionistas na Idade Média, especialmente entre os séculos XII e XIII.
 
A introdução na Liturgia se deu com o papa Pio VII (séc. XIX) . Atualmente, esta Memória se concentra melhor sobre ela, Maria, e o sacrifício de Cristo que ela própria oferece com Ele ao Pai.
 
O caminho que Maria nos ensina, como peregrinos da esperança, nos dá coragem para sermos fiéis discípulos missionários do seu Amado Filho, Jesus.
 
Com Maria aprendemos a fidelidade ao carregar da cruz de cada dia, acompanhada das renúncias necessárias.
 
Oportuno que retomemos para aprofundamento as sete dores de Maria:
1ª – A profecia de Simeão (Lc 2,35); 2ª – A fuga para o Egito (Mt 2,13s);  3ª – A perda de Jesus no templo (Lc 2,48);  4ª – O caminho de Jesus para o calvário (Lc 23,27); 5ª – A crucificação de Jesus (Lc 23,33); 6ª – Jesus deposto da cruz (Jo 19,38); 7ª – A sepultura de Jesus (Jo 19,40s)
 
Façamos sempre nossa declaração de amor à Maria, acompanhada da imitação de suas virtudes em total fidelidade ao Seu Amado Filho.
 
Nossa Senhora das Dores, Mãe das dores do tempo presente e das alegrias eternas, rogai por nós! Amém.
 

Meditemos sobre as sete dores de Maria

                                                   



Meditemos sobre as sete dores de Maria

1ª – A profecia de Simeão (Lc 2,35)

2ª – A fuga para o Egito (Mt 2,13s)

3ª – A perda de Jesus no templo (Lc 2,48)

4ª – O caminho de Jesus para o calvário (Lc 23,27)

5ª – A crucificação de Jesus (Lc 23,33)

6ª – Jesus deposto da cruz (Jo 19,38)

7ª – A sepultura de Jesus (Jo 19,40s)

 


Contemplo-te, Maria, Mãe das Dores e da Alegria Pascal

                                                                      

Contemplo-te, Maria, Mãe das Dores e da Alegria Pascal

“Uma dura, aguda espada transpassou meu coração
quando do meu Filho a morte, profetizou Simeão”

Contemplo-te, Maria, aos pés da Cruz, cumprindo-se a profecia de Simeão: o teu coração de Mãe é trespassado (cf. Lc 2, 35) pelo suplício infligido ao Inocente, que no teu ventre Se fez Carne.

Contemplo-te, Maria, vendo as lágrimas em tua face vertendo, pois choraste tal como Jesus chorou (cf. Jo 11, 35), e como não ter chorado diante do corpo torturado de Teu Filho?

Contemplo-te, Maria, o imensurável abismo da tua dor, por sua discrição; a profundidade desta aflição das sete espadas que trespassaram a tua alma.

Contemplo-te, Maria, tua maviosa perfeição, alcançada pelo sofrimento vivido e assumido, assim como fez o teu amado Filho, Jesus (cf. Hb 2, 10).

Contemplo-te, Maria, pois foste capaz de acolher a nova missão espiritual que o Filho te confiou, imediatamente antes de “entregar o Seu espírito” (cf. Jo 19, 30).

Contemplo-te, Maria, que te tornaste Mãe de Cristo e da Igreja, naquela dolorosa hora, através da figura do discípulo amado (cf, Jo 19, 26-27).

Contemplo-te, Maria, que hoje vives na alegria e na glória da Ressurreição, não antes de tuas lágrimas derramadas ao pé da Cruz, que se transformaram num sorriso que nada mais apagará, embora permanecendo intacta sua compaixão materna por nós.

Contemplo-te, Maria, teu sorriso de Mãe, que tanto nos ama como filhos teus, de modo especial, os que estão vivendo o mistério da paixão, para os quais estás solícita para as graças divinas suplicar, alcançar e conceder.

Contemplo-te, Maria, com olhar e atenção voltados, de modo particular, àqueles que se unem à hora da Paixão do teu Filho; que se encontram agora mergulhados no sofrimento do Mistério da Cruz.

Contemplo-Te, Maria, e a Ti, recorro para que voltes o teu olhar sobre nós, sobre a Igreja, da qual tu és Mãe atenta e solícita.

Contemplo-te, Maria, e suplico, que junto do Teu Filho, pois foste assunta ao Céu, cubra-nos com teu amparo maternal, e cura-nos de nossas enfermidades e dores. Amém.



Fonte inspiradora: Homilia do Papa Bento XVI, de 15 setembro de 2008, por ocasião do 150º Aniversário das Aparições de Lourdes, na Santa Missa com os enfermos.

O sorriso de Maria

                                                         

O sorriso de Maria

“Os grandes do povo procurarão o teu sorriso”
(Sl 44, 13).

Meditemos um trecho da Homilia do Papa Bento XVI, de quinze de setembro de 2008, por ocasião do 150º Aniversário das Aparições de Lourdes, na Santa Missa com os enfermos.

“Queria, humildemente, dizer àqueles que sofrem e a quantos lutam e se sentem tentados a virar as costas à vida: voltai-vos para Maria!

No sorriso da Virgem, encontra-se misteriosamente escondida a força para continuar o combate contra a doença e a favor da vida. Junto d’Ela, encontra-se igualmente a graça para aceitar, sem medo nem mágoa, a despedida deste mundo na hora querida por Deus.

Quão justa era a intuição daquela bela figura espiritual francesa que foi o Padre Jean-Baptiste Chautard, quando, na obra A alma de todo o apostolado, propunha ao cristão fervoroso frequentes ‘trocas de olhar com a Virgem Maria!’ Sim, procurar o sorriso da Virgem Maria não é um pio infantilismo; é a inspiração – diz o Salmo 44 – daqueles que são ‘os grandes do povo’ (v. 13)...

O sorriso de Maria é uma fonte de água viva. ‘Do seio daquele que acredite em mim – disse Jesus –, correrão rios de água viva’ (Jo 7, 38). Maria é Aquela que acreditou e, do seu seio, correram rios de água viva, que vêm regar a história dos homens...

O Concílio Vaticano II apresentou Maria como a figura na qual está compendiado todo o mistério da Igreja (cf. LG 63-65). A sua vida pessoal apresenta o perfil da Igreja, sendo esta convidada a estar atenta como Ela às pessoas que sofrem...

Ao concluir, desejo unir-me à oração dos peregrinos e dos doentes e retomar juntamente convosco um pedaço da oração a Maria feita para a celebração deste Jubileu:

Porque Vós sois o sorriso de Deus, o reflexo da luz de Cristo, a habitação do Espírito Santo, porque Vós escolhestes Bernadete na sua miséria, Vós que sois a estrela da manhã, a porta do céu e a primeira criatura ressuscitada, Nossa Senhora de Lourdes, com os nossos irmãos e as nossas irmãs cujos corações e corpos estão a sofrer, nós vos rezamos!”

Maria, Mãe de Jesus, Mãe da Igreja. Ela é a Virgem Filha de Sião, que cumprindo a Lei, apresentou no templo o Seu Filho, a glória do Povo de Israel e luz de todas as nações.

Maria, a Virgem Mãe oferente, que se alegra pelo Bendito Fruto do Seu Ventre, ainda que aflita pelas duras palavras da profecia de Simeão, naquele dia no templo.

Maria, a Virgem ministra do dom salvífico ofereceu o Cordeiro Imaculado, O Seu Filho, que foi imolado no Altar da Cruz para nossa Salvação.

Maria, tão unida ao seu Filho, um só amor a associava a Ele, uma só dor também os uniu, e apenas a vontade de a Deus agradar os movia.

Veneremos a Mãe de Jesus, Mãe de Deus, Mãe da Igreja e nossa, e ressuscitemos o sorriso em nossos lábios, com um coração confiante na onipotência divina, como assim foi o seu coração, em mais perfeita comunhão e sintonia com o coração do seu Filho: os dois mais belos corações – O Imaculado Coração de Maria e o Sagrado Coração de Jesus.

Oremos:

“A Igreja Virgem guarde com integridade, ó Senhor, a nova Aliança de amor; e, a exemplo de vossa humilde serva, que vos apresentou no templo o Autor da Nova Lei, conserve intacta a sua fé, robusteça a esperança do alto, fomente a caridade ardente. Por N.S.J.C. Amém.

Maria que cremos e amamos

                                                   

Maria que cremos e amamos

Cremos que Maria foi acolhida na glória celeste por Jesus Ressuscitado, que está sentado à direita do Pai.

Cremos que Maria foi assunta ao céu, e, sobre a sua cabeça, foi colocada a coroa de doze estrelas. 

Cremos que, com a Assunção de Maria, se dá o nascimento para a plenitude da vida, associada à Ressurreição de Jesus. 

Cremos que Deus quis que Jesus tivesse Sua Mãe junto de Si para ficar bem perto de nós.

Cremos que ela, ao lado d’Ele, nos acompanha na grande comunhão e desejável proximidade.

Cremos que no coração de Maria, as coisas do Céu encontraram pleno espaço.

Cremos que no Imaculado Coração de Maria, Deus encontrou todo o espaço, e assim não faltou para ela espaço no céu: corpo e alma.

Cremos que Maria na Visitação, levou Jesus consigo à sua prima Isabel.

Cremos que na Assunção é Jesus que a leva para juntos de Si, do Pai e o Espírito.

Cremos que Maria no céu é glorificada, e esta também deve ser a nossa meta.

Imitemos suas virtudes, para adorarmos, em Espírito e Verdade, o seu Filho, fazendo tudo o que Ele, Jesus, nos disser (Cf. Jo 2,5).

Que incrível troca, oh, Maria!

                                                                   

Que incrível troca, oh, Maria!

Sejamos enriquecidos pelo Sermão do Abade São Bernardo (séc. XII), acerca do mistério da paixão vivida por Maria junto de seu Filho em todos os momentos.

“O martírio da Virgem é mencionado tanto na profecia de Simeão quanto no relato da Paixão do Senhor.

Este foi posto, diz o santo ancião sobre o menino, como um sinal de contradição, e a Maria: e uma espada transpassará tua alma (cf. Lc 2,34-35).

Verdadeiramente, ó santa Mãe, uma espada transpassou tua alma. Aliás, somente transpassando-a, penetraria na carne do Filho.

De fato, visto que o teu Jesus – de todos certamente, mas especialmente teu – a lança cruel, abrindo-Lhe o lado sem poupar um morto, não atingiu a alma d’Ele, mas ela transpassou a tua alma.

A alma d’Ele já ali não estava, a tua, porém, não podia ser arrancada dali. Por isso a violência da dor penetrou em tua alma e nós te proclamamos, com justiça, mais do que mártir, porque a compaixão ultrapassou a dor da paixão corporal.

E pior que a espada, transpassando a alma, não foi aquela palavra que atingiu até a divisão entre alma e o espírito: Mulher, eis aí teu filho? (Jo 19,26). Oh! Que troca incrível!

João, Mãe, te é entregue em vez de Jesus, o servo em lugar do Senhor, o discípulo pelo Mestre, o filho de Zebedeu pelo Filho de Deus, o puro homem, em vez do Deus verdadeiro.

Como ouvir isso deixaria de transpassar tua alma tão afetuosa, se até a sua lembrança nos corta os corações, tão de pedra, tão de ferro?

Não vos admireis, irmãos, que se diga ter Maria sido mártir na alma. Poderia espantar-se quem não se recordasse do que Paulo afirmou que entre os maiores crimes dos gentios estava o de serem sem afeição. Muito longe do coração de Maria tudo isto; esteja também longe de seus servos.

Talvez haja quem pergunte: “Mas não sabia ela de antemão que iria Ele morrer?” Sem dúvida alguma. “E não esperava que logo ressuscitaria?” Com toda a confiança. “E mesmo assim sofreu com o Crucificado?” Com toda a veemência.

Aliás, tu quem és ou donde tua sabedoria, para te admirares mais de Maria que compadecia, do que do Filho de Maria a padecer?

Ele pôde morrer no corpo; não podia ela morrer juntamente no coração?

É obra da caridade: Ninguém a teve maior! Obra de caridade também isto: Depois dela nunca houve igual”.

Elevemos nossa alma até Deus, assumindo com Maria e Seu Filho, o mistério da Paixão dos que hoje padecem a dor, a fome, a miséria, a injustiça com ânsias eternas de libertação e redenção!

Maria, Mãe das Dores, depois dela nunca houve igual, e a nós cabe a mesma fidelidade e compromisso com os crucificados da história, em frutuosa devoção a Nossa Senhora das Dores e a Seu Filho, Redentor de todas as dores, que não nos permite sequer sombra de omissão frente aos incontáveis clamores de todos os tempos.

“Salve Rainha, Mãe de misericórdia..."



PS: Oportuno para a Missa do dia 15 de setembro, quando se celebra a Memória de Nossa Senhora das Dores; também para a contemplação das Sete dores de Maria. 

Diálogo aos pés da Cruz

                                                               

Diálogo aos pés da Cruz

Meditemos sobre a relação profunda e intensa de amor entre Maria e Jesus, a partir do Hino “Mãe Dolorosa”, escrito pelo Diácono São Romano, o Melodioso (séc. VI).

“Venham todos, celebremos Àquele que foi crucificado por nós. Maria O viu atado na Cruz: “Bem que você pode ser colocado na Cruz e sofrer – ela lhe disse -, mas nem por isso és menos meu Filho e meu Deus”.

Como uma ovelha, que vê ao seu pequeno arrastado ao matadouro, assim Maria O seguia, abatida pela dor. Como as outras mulheres, ela O acompanhava chorando:

Aonde você vai meu Filho? Por que este passo apressado? Acaso há em Caná outra boda, para que te apresses a converter a água em vinho? Eu Te seguirei, meu Menino? Ou é melhor que Te espere?

Diga-me alguma palavra, Tu que és a Palavra; não me deixes assim, em silêncio, ó Tu que me conservaste pura, meu Filho e meu Deus”.

“Eu não pensava, Filho de minha alma, ver-Te um dia assim como estás: não teria acreditado nunca, mesmo quando via aos ímpios estender suas mãos para Ti. Porém, suas crianças ainda têm nos lábios o clamor: Hosana! Bendito seja!

As palmas do caminho ainda mostram o entusiasmo com que Te aclamavam. Por que, como aconteceu esta mudança? Ó, é necessário que eu o saiba. Como pode acontecer que cravem em uma Cruz ao meu Filho e ao meu Deus?”.

“Ó Tu, Filho de minhas entranhas: Vais para uma morte injusta, e ninguém se compadece de Ti. Pedro não Te dizia: mesmo que seja necessário morrer, nunca Te negarei? Ele também Te abandonou.

E Tomé exclamava: 'morramos todos contigo'. E os outros Apóstolos e discípulos, aqueles que devem julgar as doze tribos, onde estão agora? Nenhum está aqui; mas Tu , meu Filho, morres em solidão por todos. Abandonado. Contudo, és Tu quem os salvou; Tu satisfizeste por todos eles, meu Filho e meu Deus”.

Assim é como Maria, cheia de tristeza e aniquilada de dor, gemia e chorava. Então seu Filho, voltando-se para Ela, respondeu-lhe desta maneira:

“Mãe, por que choras? Por que, como as outras mulheres, estás oprimida? Como queres que salve a Adão, se Eu não sofro e não morro?

Como serão chamados de novo à vida os que estão retidos nos infernos, se não  permanecer no sepulcro? Por isso estou crucificado, tu o sabes; é por isto que Eu morro.

Por que choras, Mãe? Diga antes, em tuas lágrimas: é por Amor pelo que morre meu Filho e meu Deus”.

“Procura não encontrar amargo este dia no qual vou sofrer: é para isto que Eu, que sou o próprio deleite, desci do céu como o maná; não sofre o Sinai, mas ao teu seio, pois nele me recolhi.

Segundo o Oráculo de Davi: esta montanha recolhida sou Eu; o sabe Sião, a Cidade Santa. Eu, que sendo o Verbo, em ti me fiz Carne.

Nesta Carne sofro e nesta Carne morro. Mãe, não chores mais; diz somente: se Ele sofre, é porque o quer, meu Filho e meu Deus”

Ela respondeu: “Tu queres, meu Filho, secar as lágrimas de meus olhos. Somente  meu coração está perturbado. Não podes impor silêncio aos meus pensamentos. Filho de minhas entranhas, Tu me dizes: se Eu não sofro, não há salvação para Adão... Mas, contudo, curaste a tantos sem padecer.

Para curar o leproso te foi suficiente querer sem sofrer. Tu curaste a enfermidade do paralítico, sem o menor esforço. Também fizeste o cego enxergar com uma única Palavra, sem sentir nada por isto. Óh própria bondade, meu Filho e meu Deus”.

Aquele que conhece todas as coisas, mesmo antes que existam, respondeu a Maria: “Tranquiliza-te, Mãe: após minha saída do sepulcro, tu serás a primeira a me ver; Eu te ensinarei de que abismo de trevas fui libertado, e quanto custou.

Meus amigos o saberão: porque Eu levarei a prova inscrita em  minhas mãos. Então, Mãe, contemplarás a Eva rediviva, e exclamarás com júbilo: São meus pais!, e Tu lhes salvaste, meu Filho e meu Deus”.

Impossível a indiferença e a insensibilidade diante deste diálogo, porque nos leva a refletir sobre o Mistério da Paixão e Morte de Nosso Senhor; tão imenso Amor por nós, e também a tão imensa dor que Sua Mãe sentiu naqueles dias ao ver o rebento de seu ventre sendo crucificado, morto, e ela impotente diante de tal desígnio, aos olhos humanos incompreensível.

Como Maria, a quem chamamos de Nossa Senhora das Dores, também em diálogo sincero, amoroso e confiante, apresentamos a Deus nossas inquietações, dificuldades, que por vezes não as compreendemos, e até mesmo quase que não as suportamos.

Aprendamos com Maria, a Virgem Dolorosa, aos pés da Cruz, a viver mesma atitude diante do Mistério da dor e da morte, crendo na última Palavra que é sempre de Deus.

Contemplando as Chagas Vitoriosas de Nosso Senhor suportemos as chagas dolorosas do cotidiano, certos de que, se assumidas com amor, como a cruz que Ele nos propôs, serão propícias para o alcance da verdadeira felicidade e eternidade.

Com Jesus, Aquele que suportou as Chagas Dolorosas, por Suas Chagas Gloriosas, Ressuscitado, renovemos nossas forças na Ceia Eucarística que celebramos, fonte e ápice de todo o nosso existir, porque nela somos iluminados e alimentados com O Pão da Eternidade, Pão de Imortalidade, antídoto para não morrermos, remédio para todos os males, bálsamo para todas as nossas dores.

PS: Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 -  pp.332-334. 

PS: Reflexão é oportuna para a Celebração da Memória de Nossa Senhora das Dores no dia 15 de setembro, precedida pela Festa da Exaltação da Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

"Salve, Rainha”

                                                           


"Salve, Rainha”

“Salve, Rainha”, uma oração milenar de súplica a Nossa Senhora. Com expressões pouco comuns ao nosso vocabulário, retrata situações de dor, solidão, dificuldades enfrentadas em todos os âmbitos.

É também uma homenagem a Maria, que veneramos como Rainha do Céu, da humanidade e da paz, ressaltando algumas de suas virtudes, conforme relatos dos Evangelhos: doçura, misericórdia, clemência e piedade.

“Salve, rainha, mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa! Salve!”
“Salve”! Saudamos a ti, ó Mãe e Rainha do céu e de todo o mundo, de toda a humanidade, em todos os tempos e lugares.

Estás acima de todas as mulheres, mas não distante de nós, porque nos amas como Mãe, e tens amor especial pela vida de todos nós, porque foste e serás sempre sinal de “doçura” e “esperança”, como vimos, sobretudo, ao visitar tua prima Isabel.

Tu és a Mãe que podemos procurar em todos os momentos de nossa vida, sempre pronta a nos socorrer com amor e misericórdia, como fizeste no primeiro sinal de Jesus em Caná da Galileia.

“A vós bradamos, os degredados filhos de Eva.”
A ti bradamos, pedimos socorro, suplicamos em todos os momentos, porque sabemos que estás junto do teu amado Filho e sempre pronta a caminhar com os “degredados” da história, os que são privados da liberdade, afastados de sua gente, de seu país, migrantes, desterrados, por inúmeros fatos, em realidades de flagelo, fome, miséria, dor, enfermidades e morte.

Tu, que disseste “sim” a Deus para ser a Mãe do Salvador, teu Filho, Jesus Cristo, que nos recuperou a filiação que havíamos perdido no Paraíso, pela desobediência de Eva, mãe de todos os viventes, e Adão, o primeiro da criação, o primeiro casal humano criado por Deus.

“A vós suspiramos, gemendo e chorando, neste vale de lágrimas.”
A ti continuamos suplicando, já não mais com palavras, mas com suspiros, gemidos e choros e lágrimas, porque muitas são as dificuldades, dores, tentações a serem enfrentadas e vencidas cotidianamente, na fidelidade ao teu Filho, para que tenhamos vida plena e feliz.

“Eia, pois, advogada nossa...”
Contigo, sempre avante, pois ao te contemplarmos, sentimos renovar em nós o ânimo, o estímulo, a coragem. Sabemos que podemos contigo contar, porque estás sempre pronta a nos ajudar; és nossa advogada, e, com solicitude, nos defenderás, nos recomendando a Deus. Suplicamos em oração tua materna proteção, com o Paráclito que vem em nosso divino auxílio, o Santo Espírito, que em ti agiu e fez maravilhas, te concebendo e fazendo de ti a mãe do Salvador.

“Esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei!”
Maria, pedimos que voltes para nós teus olhos cheios de piedade, graça e perdão; contamos com teu valioso e indispensável auxílio, pois, como Mãe, tu amparas, guardas e proteges teus filhos.

“E depois deste desterro...”
Tu que soubeste o gosto do “desterro”, da fuga necessária para salvar teu Filho no Egito, experimentaste, longe de tua pátria, a solidão, o isolamento e, melhor que ninguém, tens sabedoria para nos ensinar a confiar e a construir um novo céu e uma nova terra, como peregrinos que somos enquanto aqui vivemos.

“Mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre...”
Suplicamos a ti, ó M  ãe, ajuda-nos a fim de que nos mantenhamos firmes e corajosos, seguindo sempre os ensinamentos de teu Filho, Jesus, para que tenhamos d’Ele mesmos sentimentos (Fl 2, 5), totalmente a Ele configurados, de modo que possamos dizer: Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim.”  (Gl 2, 20).

“Ó clemente, ó piedosa, ó doce, sempre Virgem Maria!”
Tu és a pura expressão da doçura e da bondade; estás assentada no cume das virtudes; és abismos de graças, oceano de carismas, como nos falou Santo Amadeu.

“Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.” 

A ti, que és Mãe e Rainha, fazemos um último pedido: recomenda-nos  ao teu Filho, Jesus, Rei e Senhor do Universo, para que mereçamos receber um lugar no Seu Reino. Amém.