terça-feira, 9 de junho de 2026

Em poucas palavras...

 


As quatro virtudes necessárias

P: Quais virtudes deve um homem adquirir para poder ser salvo?

R: Existem quatro virtudes propostas ao homem: jejum, oração, trabalho manual e autocontrole do corpo.

Foi lutando contra estas virtudes que satanás expulsou Adão do paraíso, fazendo-o tropeçar através da comida e depois levando o a envergonhar-se e a fugir para esconder-se e não chegar à presença de Deus, a fim de evitar que, prostrando-se Adão diante de Deus, seu pecado lhe fosse perdoado.

E, quando Adão foi expulso do paraíso, o diabo estava pronto para precipitá-lo de ponta-cabeça em outro pecado através da negligência, esperando que ele entrasse em desespero por sua própria conta. Mas o Senhor e mestre, conhecendo a intriga malvada do diabo, deu a Adão o trabalho dizendo:

‘Trabalha a terra da qual fostes tirado’.

Então, ocupado com o trabalho, Adão pôde expulsar as trapaças do diabo.

Portanto, o diabo luta contra o jejum, a oração e o trabalho manual, porque o trabalho manual reduz suas colossais intrigas.

Ele luta também contra o autocontrole virtuoso. Mas, se uma pessoa é considerada digna de praticar estas quatro virtudes, ela domina também todas as outras virtudes.” (1)

  

(1)  Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 765 – p. 583

Em poucas palavras...

                                                              


Trigo de Deus

“Sou trigo de Deus,

serei triturado pelos dentes das feras

para tornar-me o puro pão de Cristo.

Rogai a Cristo por mim,

para que por este meio

me torne sacrifício para Deus”. (1)



(1)Santo Inácio de Antioquia (séc .I)

 


Paróquia: Escola de Comunhão e de Amor

                                                      

Paróquia: Escola de Comunhão e de Amor

Como Igreja que somos, precisamos testemunhar a nossa Fé, dando solidez à Esperança, na vivência concreta e eficaz da Caridade, virtudes divinas que nos movem, sobretudo diante dos desafios da realidade em que nos encontramos.

Vivendo em comunidade, a nossa fé deve ser sempre iluminada pelo exemplo das primeiras comunidades fundadas pelos apóstolos: “As comunidades eram perseverantes na Doutrina dos Apóstolos, na Comunhão Fraterna, na Fração do Pão e na Oração” (At 2, 42-45).

Para tanto, todo o itinerário do discípulo, desde o chamado, deve ser sempre vivido na comunhão com o Mestre, que se desdobra, necessariamente, na comunhão com os outros, de modo que a dimensão comunitária é fundamental na Igreja, pois se inspira na própria Santíssima Trindade, a perfeita comunidade de amor.

Sem comunidade, não há como viver autenticamente a experiência cristã, e a Paróquia tem o grande desafio de ser este espaço, como nos afirmou a Conferência de Aparecida (2007): 

“Entre as comunidades eclesiais, nas quais vivem e se formam os discípulos e missionários de Jesus Cristo, sobressaem as Paróquias. São células vivas da Igreja e o lugar privilegiado no qual a maioria dos fiéis tem uma experiência concreta de Cristo e a comunhão eclesial. São chamadas a ser casas e escolas de comunhão”.

A Conferência
 manifesta o desejo de uma valente ação renovadora das Paróquias, a fim de que sejam “espaços da iniciação cristã, da educação e celebração da fé, abertas à diversidade de carismas, serviços e ministérios, organizadas de modo comunitário e responsável, integradoras de movimentos de apostolado já existentes, atentas à diversidade cultural de seus habitantes.” (n. 170).

Num tempo marcado por incertezas e tantos desafios, como alegres e convictos discípulos missionários, devemos empregar todo esforço e recursos na necessária conversão das estruturas de nossas paróquias, para que, como espaço privilegiado da presença e do encontro com o Senhor, elas se coloquem a serviço da vida plena e definitiva.  

Não podemos nos acomodar, pois grande é o desafio da evangelização, a fim de que a Palavra do Senhor seja a todos os povos anunciada, e tenhamos Paróquias em contínuo processo de conversão, e comunidades que sejam verdadeiras escolas da comunhão e de amor à vida, construindo laços fraternos e eternos, iluminados pela Palavra, nutridos pela Eucaristia.

É preciso que continuemos o aprofundamento sobre as estruturas das Paróquias, e a necessária conversão, a fim de que nossas comunidades sejam, verdadeiramente, casas do Pão da Palavra, do Pão da Eucaristia e do Pão da Caridade, uma Igreja discípula, profética, missionária e misericordiosa, e como nos falou o Papa Francisco – “uma Igreja em saída”, presença nos mais diversos espaços, sobretudo nas periferias existenciais.

Sal da terra e luz do mundo

                                                    

Sal da terra e luz do mundo

À luz da passagem do Evangelho proclamado na terça-feira da 10ª Semana do Tempo Comum (Mt 5,13-16), refletimos a missão de ser sal da terra e luz do mundo, como graça do batismo e discípulos missionários do Senhor.

Destacam-se quatro características:

1 – A publicidade: a luz, por sua natureza, existe para iluminar, para se mostrar visível e pública, e não para ficar escondida. Não se pode ficar no anonimato.

2 – A universalidade: sal da terra e luz do mundo. No entanto, esta universalidade que Jesus anuncia deve começar pelos últimos, a fim de que os primeiros também sejam incluídos: os últimos devem ser os primeiros, e assim não haverá nenhuma possibilidade de exclusão.

3 – A consistência: o testemunho se dá pelas obras e não pelas palavras ou teorias. Não se pode incorrer na tentação das palavras em excesso. É preciso as obras de misericórdia (Mt 25,31), pela partilha realizada, pela Palavra de Deus colocada em prática (Mt 7,21).

4 – A Transparência: o discípulo, na prática das boas obras, não concentra a atenção sobre ele próprio, mas leva os outros a dirigirem o olhar para Deus, que é nosso Pai – “Vendo as vossas boas obras, glorifiquem Vosso Pai que está nos Céus” (M 5,16). De fato, Jesus foi a verdadeira transparência do Pai pelas palavras, obras e na Sua própria Pessoa – “Quem me viu, viu o Pai” (Jo 14, 9). (1)

Somente com as obras de misericórdia (corporais e espirituais), seremos, de fato, sal e luz.  Não seremos também pelas obras do poder, da riqueza ou do sucesso, mas do amor vivido concretamente em solidariedade concreta com os empobrecidos.

Este é o caminho que todo o discípulo de Jesus deve fazer, assim como o Apóstolo Paulo e tantos outros, o caminho da fraqueza da Cruz e não o caminho do poder ou da glória.

Supliquemos a Deus que estas características: publicidade, universalidade, consistência e transparência, estejam presentes em nosso agir, assim como em todas as nossas atividades pastorais. E assim, na fidelidade ao Senhor, confiando em Sua Palavra, Pessoa e presença, seremos da terra o sal e do mundo a luz.


(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – 2010 – pp. 206-207

Irradiar uma única Luz

                                                                         

Irradiar uma única Luz

“Vós sois a luz do mundo" (Mt 5, 14)

Naquela manhã, depois do poético barulho da chuva caindo silenciosamente,
Os raios de sol vieram timidamente secando o chão que a chuva molhara...
Rezei por aqueles que irradiam o calor para um mundo por vezes
Frio e sedento do calor que emana de um  simples gesto.

Ao entardecer o noticiário falava da irradiação que oferece perigos letais.
Rezei por aqueles que ao contrário irradiam valores que sacralizam vidas;
Que irradiam ideias, sentimentos, pensamentos que edificam e
Que semeiam o jardim com flores vitais, num mundo novo possível.

Naquela noite contemplava o céu e via as estrelas irradiando um forte brilho.
Rezei por aqueles que em minha vida passaram e para sempre ficarão,
Nem tanto pela sua genialidade, mas pelo brilho que emanam da alma,
Brilho como sinônimo de candura, ternura, mansidão, bondade, solidariedade...

Viver é potencializar a capacidade que também temos de irradiar por onde passamos.
Podemos irradiar fé, esperança, amor, confiança ou, lamentavelmente, o contrário.
Se verdadeiramente fé tivermos, transformados pelo mesmo Espírito que nos conduz,
Irradiaremos o melhor de Deus, uma única luz; teremos um único olhar penetrante na realidade.

O mundo precisa de quem irradie o melhor de Deus com suas palavras e ações.
Irradiações desejáveis pela humanidade, queridas por Deus hão de se multiplicar.
Que ouçamos lá no mais profundo de nós a voz de Deus ecoar:

“Sede irradiadores de minha Divina Luz, no mundo. Vós sois minhas testemunhas.” Amém.

O inadiável desafio da integração pastoral

                                                              

O inadiável desafio da integração pastoral

Uma temática muito oportuna e necessária: a integração das pastorais; a comunhão daqueles que, pelo Batismo e pela graça divina (não por próprios méritos), participam da ação evangelizadora, colaborando na edificação da Igreja a serviço do Reino de Deus.

À luz da Sagrada Escritura, façamos nossa reflexão, fundamentados nos Apóstolos Pedro e Paulo e nos ensinamentos do Papa Clemente I (séc. I), que muita luz nos trará para a construção e solidificação da integração pastoral, na maturação da concórdia e mútua ajuda.

É mais do que necessário que, com tenacidade e decidida coragem, nos empenhemos na construção da paz e, por mais que o façamos ainda será pouco para que sejamos, de fato, a visibilidade esplendorosa do rosto do Cristo Ressuscitado.

Portanto, mais do que caminharmos de mãos dadas, precisamos de um coração aberto ao outro, na acolhida, na sinceridade de relacionamentos, no perdão, na abertura e amadurecimento, fazendo valer o que os apóstolos nos ensinaram. 

Mais que mãos dadas, são corações seduzidos, apaixonados e enraizados no amor de Cristo que nos farão mais fraternos, mais credíveis testemunhas do Ressuscitado.

Um aprendizado fundamental enraíza-se na vivência das virtudes teologais - fé, esperança e caridade -, como tão bem é nos apresentado no Catecismo da Igreja Católica (n. 1813).

A integração pastoral é importante, entretanto, somente chegaremos a ela através da Palavra de Deus, que mais do que ser lida e refletida, precisa ser acolhida, vivida e testemunhada, plantada na fertilidade de nosso coração e entranhada no mais profundo de nossa alma.

Voltemo-nos às palavras do Papa Bento XVI:    

"Não se trata de anunciar uma Palavra anestesiante, mas desinstaladora, que chama à conversão, que torna acessível o encontro com Ele, através do qual floresce uma humanidade nova".

Todo tempo seja para nós como um grande Pentecostes, um sopro do Espírito; que a Palavra de Deus não fique apenas no conhecimento, mas seja iluminadora de nossos pensamentos, palavras e ações. E assim, nos coloquemos de mãos dadas a caminho do Reino.

Há um longo caminho a percorrer, sem medos, recuos, acovardamento e deserção. O Ressuscitado conosco caminha, Seu Espírito conosco está para fidelidade maior ao Projeto do Pai.

Sem a integração pastoral, empobrecemos o espírito da Pastoral de Conjunto, e perdemos a força da ação Evangelizadora.

O Imperativo da hora: não percamos tempo

                                      


O Imperativo da hora: não percamos tempo

“Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei em sua casa e tomarei refeição com ele, e ele comigo. Ao vencedor, farei sentar-se comigo no meu trono, como também eu venci, e estou sentado com meu Pai, no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas.” (1)

É esta a hora proclamada por Jesus: é urgente que nos convertamos e decidamos a quem queremos servir como único Senhor da vida.

Não nos é permitido que nos iludamos e que creiamos que temos todo o tempo do mundo pela frente.

Ele, Jesus, glorioso e vencedor, veio, vem e virá. Ele está à porta e bate... Agora é o tempo propício, o tempo da Salvação.

Ele se torna para nós nosso divino Alimento neste tempo presente, tempo de trilharmos o caminho da salvação.

Ele se torna o Verdadeiro Alimento e Verdadeira Bebida para que creiamos e não tenhamos medo de escolhê-Lo, pois teremos feito a escolha da melhor parte, como Maria o fez aos Seus  pés se colocando (2).

Coragem! Decidamos sem demora e nos decidamos por Ele, e nos abandonemos totalmente a Ele: Caminho, Verdade e Vida (3).

Agora é o imperativo da hora: amemos o Senhor com todo o nosso coração e O sigamos e O sirvamos com todos os dons a nós confiados, sobretudo em favor dos empobrecidos, pobres, famintos, sedentos, enfermos, peregrinos e sem casa, cativos com os quais se identificou (4). Amém.


 
(1)    Ap 3,20-22
(2)   Lc 10,38-42
(3)  Jo 14,6
(4)  
Mt 25,31-46

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