sábado, 29 de novembro de 2025

Esperamos o Senhor na vigilância e na oração

                                                           


 Esperamos o Senhor na vigilância e na oração

 
Tempo de vigiar e orar, tempo de a fé viver,
para solidificar a esperança na vivência de uma
autêntica caridade para com o próximo.
 
No 34º sábado do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 21,34-36), que nos convida a preparação da vinda gloriosa do Senhor.
 
Trata-se de uma mensagem de alegria, confiança, esperança e compromisso na acolhida do Filho do Homem, Jesus, que faz acontecer o Projeto de um mundo novo.
 
Retrata os últimos dias da vida terrena de Jesus e a iminente destruição de Jerusalém (anos 70 D.C.), como de fato aconteceu.
 
Jesus anuncia uma Palavra de ânimo, “é preciso levantar a cabeça porque a libertação está próxima” (Lc 21,28). 

A comunidade não pode se amedrontar, mas deve abrir o coração à esperança, em atitude de vigilância e confiança.
 
A salvação não pode ser esperada de braços cruzados, pois nos é  oferecida a nós como dom divino, conversão e compromisso nosso: Jesus vem, mas é preciso reconhecê-Lo nos sinais da história, no rosto dos irmãos, nos apelos dos que sofrem e buscam a libertação.
 
É preciso deixar que Ele nos transforme a mente e o coração para que Ele apareça em nossos gestos e palavras, em toda a nossa vida.
 
O Reino vem e acontece como realidade escatológica, ou seja, não será uma realidade plena neste tempo em que vivemos, será plenitude somente depois que Cristo destruir definitivamente o mal que nos rouba a liberdade e ainda nos faz escravos.
 
Trabalhamos e nos empenhamos pelo Reino que é já e ainda não, pois ainda que muitas coisas tenhamos feito e o mundo tornado melhor, ainda não será o “tudo melhor” que Deus tem reservado para nós. O Reino de Deus é uma realidade inesgotável, imensurável e indescritível, e o vemos em sinais.
 
Por ora, é preciso vigiar e orar, numa esperança que nos leve a viver uma caridade ativa tornando fecunda a nossa fé. 
 
Encerramos mais um ano litúrgico, e que Deus nos conceda a graça de iniciar um novo, sempre na oração e na vigilância, na espera do Senhor, Aquele que veio, vem e virá gloriosamente.
 

Em poucas palavras...

                                                          

Celebremos o Tempo do Advento

“Ao celebrar em cada ano a Liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta expectativa do Messias.

Comungando na longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo da sua segunda vinda (Ap 22,17).

Pela celebração do nascimento e martírio do Precursor, a Igreja une-se ao seu desejo: «Ele deve crescer e eu diminuir» (Jo 3, 30)”.

 

(1) Catecismo da Igreja Católica parágrafo n.524

 

A beleza do Tempo do Advento (Ano A) (IDTAA)

                                                           



A beleza do Tempo do Advento (ano A)

Antes de apresentarmos a mensagem que a Liturgia da Palavra nos oferece, podemos assim entender o Tempo do Advento:

“Hoje nós não esperamos a vinda do Messias – que já apareceu em Belém há mais de dois mil anos – mas a Sua manifestação ao mundo. É nesta perspectiva que adquire sentido o Tempo que dedicamos à preparação do Natal, Tempo que mais do que ‘Advento’, deveria ser chamado ‘Preparação para o Advento’” (1).

Agora vejamos o que nos propõe a Liturgia:

- No primeiro Domingo (ano A) retrata a vinda escatológica de Jesus (a Sua segunda vinda gloriosa, que professamos e aguardamos na vigilância). Somos chamados a “atitude da vigilância”. Todos os textos proclamados evocam a manifestação do Senhor no fim dos tempos e a urgência da preparação para este final da história da humanidade na terra.

- No segundo Domingo (e também no terceiro) retrata a Sua vinda na História. A atitude que se ressalta é a “conversão”, a partir da voz de João Batista, que exorta a preparar os caminhos do Messias esperado.

- No terceiro Domingo, temos a identificação de Jesus testemunhado pelas Suas obras. De fato era Ele que haveria de vir. A marca deste Domingo é a “alegria”, pela Sua primeira vinda e a espera paciente e confiante de Sua segunda vinda.

- No quarto Domingo nos fala do “anúncio“ a José, sobre o nascimento do Filho de Maria como Salvador e Deus conosco.

Em relação à Palavra proclamada nestes Domingos:

- Na primeira leitura, percorremos um itinerário de consciência progressiva do caráter salvífico da vinda d’Aquele que foi prometido e que será reconhecido, no quarto Domingo, na Pessoa de Jesus de Nazaré.

- Na segunda Leitura, temos um convite a nos deixar conduzir pela vigilância, paciência e fidelidade às Escrituras, reconhecendo em Jesus, o Filho de Deus, e vivendo a obediência da fé.

Neste sentido, somos convidados à vigilância e à conversão, esperando com alegria e perseverança a chegada de Deus, na encarnação do Verbo, com a destruição da injustiça e da impiedade, trazendo a salvação para todos os que n’Ele crerem.

Concluindo, podemos afirmar que o Tempo do Advento é uma frutuosa introdução no Mistério do Ano Litúrgico e a celebração da tríplice vinda de Jesus: “As poucas semanas que precedem a Festa do Natal constituem uma importante iniciação ao Mistério insondável da Encarnação, que desde então é o âmbito em que vivemos na fé e na esperança” (2).

Sobre esta tríplice vinda, fiquemos com as palavras de São Bernardo (séc. XIII), em sua Homilia para o Advento:

“Na primeira vinda, o Senhor veio em carne e debilidade, nesta segunda, em espírito e poder; e na última, em glória e majestade. Esta vinda intermediária é como que uma senda por que se passa da primeira para a última: na primeira, Cristo foi nossa redenção; na última, aparecerá como nossa vida; nesta, é o nosso descanso e o nosso consolo” (3).


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - p.35
(2) Missal Quotidiano Dominical e Ferial – Editora Paulus – Lisboa – 2011 pp. 27-28
(3) idem p.28

Vigilância na espera do Senhor que vem (IDTAA)

                                                                        

Vigilância na espera do Senhor que vem

 “Vós sabeis em que tempo estamos, pois já é hora de despertar.
Com efeito, agora a Salvação está mais perto de nós
do que quando abraçamos a fé.” ( Rm 13,11)

No 1º Domingo do Advento do Ano Litúrgico (ano A), somos exortados para uma frutuosa preparação para o Natal:

“O apelo à vigilância, atentos ao Senhor que veio, vem e virá: “Nas Leituras deste primeiro domingo do Ano Litúrgico predominam dois temas: a vinda do Senhor e o tema da Vigilância.

Mais do que dois temas, trata-se antes, de dois ‘movimentos’: O Senhor vem – vamos a Seu encontro; Deus vem ao homem, mas só O encontra quem se coloca ao encontro d’Ele, quem está pronto” .(1)

Numa atitude de vigilância, como cristãos, precisamos superar todo comodismo, passividade, desleixo, sem nos acomodarmos numa rotina sem brilho e sem luz.

A passagem da primeira Leitura (Is 2,1-5) é um dos oráculos mais profundos e mais belos do Antigo Testamento: trata-se de uma visão em que os povos se encontram no Monte Sião (Jerusalém), em harmonia e paz sem fim.

Somente o encontro com Deus e com Sua Palavra possibilita a harmonia, o progresso, o entendimento entre os povos, traduzido em vida em abundância e paz universal.

Monte Sião é o contrário de Babel, pois esta segunda se caracteriza pelo confronto dos homens com Deus, o orgulho, a autossuficiência, o conflito, a confusão, a falta de entendimento, a dispersão e tudo que destrói a paz e relação de amizade com Deus.

Urge que nos ponhamos a caminho, ao encontro de Deus e Sua proposta de vida, amor e paz, e este sonho se realizará perfeitamente e plenamente em Jesus.

Na passagem da segunda Leitura (Rm 13,11-14), o Apóstolo Paulo nos exorta para que despertemos de nosso sono, ou seja, passemos das trevas para a luz. Deixemos de lado todo egoísmo, injustiça, mentira e pecado, e nos empenhemos numa vida marcada pela partilha, justiça, verdade e graça.

Na acolhida e espera do Senhor que vem, contra toda possibilidade de divisão, é preciso, congregados pelo Evangelho, viver na vigilância e no amor mútuo.

Como batizados, esperar o Senhor que vem é o abandono das obras das trevas, para que, como pessoa, família, Igreja e sociedade, vivamos na luz.

Para isto, é preciso que sejamos sempre despertados de nosso sono: na aurora da chegada do Senhor a noite de nossa existência será totalmente iluminada.

Importante lembrar que “Santo Agostinho compara seu estado na vigília da conversão a um sono semidesperto, em que metade de sua vontade, acordada e ao lado de Deus, mandava que a outra metade despertasse e se decidisse.

Sono profundo ou sono semidesperto, não somente o estado de quem está em pecado ou vive esquecido de Deus, mas também a tibieza, a incoerência, a indecisão: um cristianismo ‘implícito’ que seria melhor chamar de cristianismo apagado...

Foram precisamente as últimas palavras de Paulo que acabamos de ouvir que levaram Agostinho a dar o último passo para a conversão. Encontrava-se num jardim em Milão, no ápice daquela luta entre ‘as duas vontades’, quando ouviu uma voz misteriosa que cantava: ‘Pega e lê’.

Pegou a Bíblia e abriu-a, leu as palavras de Paulo que diziam para que se despertasse do sono, e dessa forma encontrou luz e paz no coração, Havia, enfim, tomado sua decisão diante de Deus” (2).

A passagem do Evangelho de São Mateus (Mt 24,37-44), reforça a atitude de vigilância na fé que o cristão deve ter, em compromisso irrenunciável e inadiável com o Reino. 

A vinda do Senhor é certa, é preciso estar vigilante, preparado e ativo, e isto implica em abertura e disponibilidade para o Reino de Deus, eterno e universal, marcado por relações de verdade, vida, graça, justiça, santidade e paz, como tão bem expressa o Prefácio da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.

Para isto, o Evangelista nos apresenta três quadros: o ócio, o trabalho e a não vigilância, ou seja, a despreocupação com a vida e a existência; ou o contrário, os compromissos e trabalhos para a subsistência; e por fim a ausência da vigilância, que leva à perda do encontro com o Senhor que vem. (v.37-39; 40-41; 43-44, respectivamente).

Somente a atitude de vigilância nos prepara para o verdadeiro Natal: a passagem das trevas para a luz, do pecado para a graça, do distanciamento para a comunhão e intimidade com Deus, do ódio para o amor.

Recuperemos a dimensão Pascal do Natal para celebrar o Nascimento de Jesus, o Sol Nascente, a Luz sem ocaso, que nos veio visitar e sempre vem nos visitar.

Nossa espera é memória e presença. Memória porque Aquele que esperamos, Jesus, já veio (por isto a preparação necessária para o Natal), e presença, porque cremos e sentimos que Jesus está desde agora conosco; presente de modo salutar e real na Santíssima Eucaristia, que não apenas celebramos, mas comungamos, porque é o  Deus Conosco, o Deus que Se faz Pão, Comida e Bebida para nos Alimentar e nos Salvar.

Que o Tempo do Advento seja a nossa ida com alegria ao encontro de Alguém que caminha conosco, e mais do que caminhar ao nosso lado, Se faz morada em nós pelo Espírito Santo.


(1) O Verbo se fez carne –  (Pe. Raniero Cantalamessa) - Editora Ave Maria - 2013 - p. 17.
(2) Idem pp. 18-19.

Vigilância em todo o tempo (IDTAA)

 


Vigilância em  todo o tempo
 
A passagem do Evangelho de São Mateus (Mt 24,37-44), reforça a atitude de vigilância na fé que o cristão deve ter em todo o tempo, com compromissos irrenunciáveis e inadiáveis com o Reino de Deus na espera do Senhor que veio, vem e virá.
 
A vinda do Senhor é certa, é preciso estar vigilante, preparado e ativo, e isto implica em abertura e disponibilidade para o Reino de Deus, eterno e universal, marcado por relações de verdade, vida, graça, justiça, santidade e paz, como tão bem expressa o Prefácio da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.
 
Para isto, o Evangelista nos apresenta três quadros: o ócio, o trabalho e a não vigilância, ou seja, a despreocupação com a vida e a existência; ou o contrário, os compromissos e trabalhos para a subsistência; e por fim a ausência da vigilância, que leva à perda do encontro com o Senhor que vem. (v.37-39; 40-41; 43-44, respectivamente).
 
A atitude de vigilância é fundamental para que façamos as  necessárias passagens das trevas para a luz, do pecado para a graça, do distanciamento para a comunhão e intimidade com Deus, do ódio para o amor, da morte para a vida.
 
Somos peregrinos de esperança, testemunhas da vigilante espera do Senhor que  veio, vem e virá é memória e presença.
 
Memória porque Aquele que esperamos, Jesus, já veio;  presença, porque cremos e sentimos que Jesus está desde agora conosco, e Ele está presente de modo salutar e real na Santíssima Eucaristia, que não apenas celebramos, mas comungamos, porque é o  Deus Conosco, o Deus que Se faz Pão, Comida e Bebida para nos Alimentar e nos Salvar.
 
 
PS: Oportuno para a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 12, 39-48)

O Tempo do Advento e as duas vindas do Senhor (IDTAA)

                                                             

O Tempo do Advento e as duas vindas do Senhor

Ele veio, vem e virá

 

Iniciando o tempo do Advento, à luz das Catequeses do Bispo São Cirilo de Jerusalém (séc. IV), reflitamos sobre as duas vindas de Cristo. 

“Anunciamos a vinda de Cristo: não apenas a primeira, mas também a segunda, muito mais gloriosa. Pois a primeira revestiu um aspecto de sofrimento, mas a segunda manifestará a coroa da realeza divina.


Aliás, tudo o que concerne a nosso Senhor Jesus Cristo tem quase sempre uma dupla dimensão. Houve um duplo nascimento: primeiro, ele nasceu de Deus, antes dos séculos; depois, nasceu da Virgem, na plenitude dos tempos. Dupla descida: uma, discreta como a chuva sobre a relva; outra, no esplendor, que se realizará no futuro.


Na primeira vinda, ele foi envolto em faixas e reclinado num presépio; na segunda, será revestido num manto de luz. Na primeira, ele suportou a cruz, sem recusar a sua ignomínia; na segunda, virá cheio de glória, cercado de uma multidão de anjos.


Não nos detemos, portanto, somente na primeira vinda, mas esperamos ainda, ansiosamente, a segunda. E assim como dissemos na primeira: Bendito o que vem em nome do Senhor (Mt 21,9), aclamaremos de novo, no momento de sua segunda vinda, quando formos com os anjos ao seu encontro para adorá-lo: Bendito o que vem em nome do Senhor.


Virá o Salvador, não para ser novamente julgado, mas para chamar a juízo aqueles que se constituíram seus juízes. Ele, que ao ser julgado, guardara silêncio, lembrará as atrocidades dos malfeitores que o levaram ao suplício da cruz, e lhes dirá: Eis o que fizestes e calei-me (Sl 49,21).


Naquele tempo ele veio para realizar um desígnio de amor, ensinando aos homens com persuasão e doçura; mas, no fim dos tempos, queiram ou não, todos se verão obrigados a submeter-se à sua realeza.


O profeta Malaquias fala dessas duas vindas: Logo chegará ao seu templo o Senhor que tentais encontrar (Ml 3,1). Eis uma vinda.


E prossegue, a respeito da outra: E o anjo da aliança, que desejais. Ei-lo que vem, diz o Senhor dos exércitos; e quem poderá fazer-lhe frente, no dia de sua chegada? E quem poderá resistir-lhe, quando ele aparecer? Ele é como o fogo da forja e como a barrela dos lavadeiros; e estará a postos, como para fazer derreter e purificar (Ml 3,1-3).


Paulo também se refere a essas duas vindas quando escreve a Tito: A graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens. Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade, aguardando a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo (Tt 2,11-13). Vês como ele fala da primeira vinda, pela qual dá graças, e da segunda que esperamos?


Por isso, o símbolo da fé que professamos nos é agora transmitido, convidando-nos a crer naquele que subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim. Nosso Senhor Jesus Cristo virá portanto dos céus, virá glorioso no fim do mundo, no último dia. Dar-se-á a consumação do mundo, e este mundo que foi criado será inteiramente renovado.” (1)


Entre a primeira vinda e a segunda vinda, vivemos o tempo intermediário. tempo de vigilância, de oração, em todo o momento, como o Senhor nos falou no Evangelho (Lc 21,25-28.34-36). É preciso que fiquemos de pé, ergamos a cabeça, levantemos nosso ânimo.

O tempo do Advento não é apenas para a preparação de presépios de árvores de Natal, mas preparação do coração, para que Ele venha e encontre nele e em nosso lar, lugar digno para nascer.


Vivamos este tempo de abertura à graça divina, que nos vem por meio de Jesus Cristo, com a comunicação da presença e ação do Seu Espírito, para que vivamos maior fidelidade ao Projeto do Pai.

Preparemo-nos para celebrar autenticamente o Natal do Senhor, que veio, vem e virá, a cada instante, com sagrados compromissos expressos em gestos de acolhida, perdão, amor, solidariedade.

Preparemos nossos corações para celebrar o nascimento do Senhor na manjedoura preferida d’Ele, que é o coração humano, no qual Ele quer fazer Sua morada, habitando em nós como o mais belo Hóspede.

De nada adianta a luz de um pisca-pisca, se não nos voltarmos confiantes e vigilantes à espera do Senhor, que vem para iluminar nossos caminhos.

Somente assim, daremos um passo significativo, para celebrar autenticamente o Natal do Senhor.

 

 

PS: Liturgia das Horas – Vol. I - pp.113-114.

Apropriado para a quinta-feira da 27ª semana do Tempo Comum, quando se proclama Malaquias (Ml 3,13-20a)


Advento: Tempo de experimentar a misericórdia de Deus (IDTAA)

                                                       

Advento: Tempo de experimentar a misericórdia de Deus

Advento, Tempo de nos prepararmos para celebrar o nascimento d’Aquele que veio ao nosso encontro, o Sol Nascente, que veio nos visitar, o nascimento que mudou o rumo da história da humanidade e de toda a criação.

Advento, Tempo fecundo de vigilância e oração, na espera da Luz, que resplandeceu naquela Noite Santa, e em todas as noites escuras por que possamos passar, pois quem O acolhe, O ama e O segue, jamais andará nas trevas, como Ele mesmo, um pouco mais tarde, nos falaria.

Advento, Tempo de redescobrir a força e a beleza da Palavra de Deus, Pão que sacia nossa fome, água cristalina para nossa sede de vida, amor, paz e luz para o nosso caminho, ainda que a escuridão teime em nos desviar do verdadeiro Caminho, Verdade e Vida, Jesus (cf. Jo 14,6).

Advento, Tempo de nos abrirmos à Misericórdia de Deus, que vem ao nosso encontro na Pessoa de Jesus, que, ao Se encarnar, foi a própria misericórdia que se encarnou e habitou entre nós, e no-la ensinou a viver, para que misericordiosos como o Pai sejamos (Lc 6, 36).

Advento, Tempo de todos os dias de nossa caminhada, marcada pela presença de Deus, que guia os nossos passos com a força e a graça do Espírito, permitir que ela infunda em nosso coração o Seu amor, para amá-Lo, como convém, em correspondência desejável de amor.

Advento, Tempo da misericórdia para todos, sem nenhuma exclusão, de modo que ninguém possa pensar ou sentir que é indiferente para Deus, que ama sem exceção e a todos quer comunicar a força de Sua ternura e carícia, através daqueles que n’Ele creem.

Advento, Tempo da misericórdia para quantos que se sentem fracos e indefesos, afastados e sozinhos, para que sintam a presença de irmãos e irmãs presentes e solidários, nas mais diversas realidades e necessidades.

Advento, Tempo da misericórdia, para que os pobres sintam pousado sobre si o olhar respeitoso, mas atento daqueles que, vencida a indiferença, são promotores da cultura da misericórdia e da solidariedade, descobrem e promovem a beleza e a sacralidade da vida.

Advento, Tempo favorável para vivermos com criatividade e ousadia as obras de misericórdia corporais e espirituais, pois o mais belo Natal do Senhor acontece quando O vemos presente em cada um que de nós se aproxima suplicando um pouco de vida, alegria, consolação e paz.


Advento, Tempo de nos prepararmos e ouvirmos Sua Mãe, a primeira que abriu a procissão e nos acompanha no testemunho do amor, e nos indica sem cessar o seu Divino Filho, em seu ventre encarnado por Obra do Espírito Santo, e nos manda fazer tudo o que Ele nos disser (Jo 2, 5).

Advento, Tempo de nos prepararmos para celebrar com júbilo, na Noite Santa, o Nascimento na fragilidade de uma Criança, e em Seu rosto contemplar “o rosto radiante da misericórdia de Deus”, que se estende de geração em geração, como cantou Sua e nossa amada Mãe Santíssima, Maria. Amém!


PS: Inspirado no parágrafo no parágrafo n.21 da Carta Apostólica “Misericordia et misera

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